No final do verão, é habitual observar bandos de andorinhas pousadas em fios elétricos, telhados ou reunidas sobre campos e zonas húmidas. Estas concentrações estão frequentemente associadas à migração das andorinhas, um dos fenómenos naturais mais característicos da mudança das estações em Portugal.
Depois de passarem a primavera e o verão a reproduzir-se, muitas destas aves iniciam uma viagem em direção a África, onde encontram condições favoráveis à alimentação durante os meses mais frios do ano.
Entre as espécies mais conhecidas estão a andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica) e a andorinha-dos-beirais (Delichon urbicum). Embora ambas sejam aves migradoras que se alimentam de insetos em pleno voo, apresentam diferenças importantes na aparência, nos ninhos e nos movimentos sazonais.
A viagem não segue um calendário único nem uma rota idêntica para todos os indivíduos. A disponibilidade de insetos, as condições meteorológicas e os ritmos biológicos influenciam cada etapa deste ciclo que liga Portugal ao continente africano.
[Inserir imagem — Texto alternativo: Grande migração de outono das andorinhas entre Portugal e África, com andorinha-das-chaminés, andorinha-dos-beirais, bandos reunidos em fios elétricos, ninhos de lama e mapa das rotas migratórias]
Índice
- Migração das andorinhas e mudanças de estação
- As principais espécies observadas em Portugal
- Porque partem e quando começa a viagem
- Os grandes bandos nos fios elétricos
- A alimentação e a preparação para migrar
- As rotas entre a Europa e África
- A travessia do Mediterrâneo e do Saara
- Como encontram o caminho
- A vida nas regiões africanas de invernada
- O regresso a Portugal na primavera
- Ninhos de lama e proteção legal
- A importância das paisagens agrícolas
- Ameaças e conservação
- Observação e investigação científica
- Tabelas e mitos frequentes
- Conclusão
Migração das andorinhas: um dos grandes fenómenos do outono
A migração é uma deslocação sazonal entre regiões que oferecem condições diferentes ao longo do ano. Nas andorinhas europeias, está sobretudo relacionada com a reprodução durante os meses favoráveis e a procura de alimento noutras regiões durante o inverno.
A duração dos dias, conhecida como fotoperíodo, fornece informação sazonal importante. Em conjunto com mecanismos fisiológicos e condições ambientais, contribui para regular o comportamento migratório.
Ao contrário das aves que permanecem no mesmo território durante todo o ano, muitas andorinhas percorrem grandes distâncias para explorar recursos disponíveis em épocas diferentes.
A migração das andorinhas não resulta simplesmente da sensação de frio. Está profundamente associada ao ciclo anual de reprodução, à alimentação e à capacidade de sobreviver em habitats que mudam com as estações.
Conhecer a andorinha-das-chaminés — Hirundo rustica
A andorinha-das-chaminés é uma das aves mais reconhecíveis da paisagem rural portuguesa. Apresenta dorso escuro com reflexos azulados, garganta avermelhada, partes inferiores claras e uma cauda profundamente bifurcada, especialmente desenvolvida em muitos adultos.
É frequentemente observada sobre pastagens, campos agrícolas, caminhos rurais e nas proximidades de explorações pecuárias, onde captura insetos voadores.
Um ninho aberto construído com lama
Esta espécie constrói habitualmente ninhos em forma de taça aberta, utilizando pequenas porções de lama misturadas com materiais vegetais.
Os ninhos podem encontrar-se em celeiros, estábulos, garagens e outras construções com acesso adequado.
Muitas populações europeias realizam migrações de longa distância, passando a época não reprodutora em regiões africanas, frequentemente a sul do Saara. BTO
Conhecer a andorinha-dos-beirais — Delichon urbicum
A andorinha-dos-beirais distingue-se pelo dorso escuro, ventre branco e uma mancha branca bastante evidente na região do uropígio, junto à base da cauda.
A cauda é mais curta e menos profundamente bifurcada do que a da andorinha-das-chaminés.
Os ninhos fechados sob os beirais
Ao contrário da espécie anterior, a andorinha-dos-beirais constrói ninhos de lama quase inteiramente fechados, deixando uma pequena abertura de entrada.
Estes ninhos são frequentes sob os beirais dos telhados, nas fachadas e em estruturas protegidas da chuva direta.
A espécie pode nidificar em colónias, com vários casais relativamente próximos. Muitas populações europeias também migram para África, embora os detalhes de invernada e as rotas variem.

Outras andorinhas que existem em Portugal
A fauna portuguesa inclui outras espécies que merecem ser distinguidas.
A andorinha-das-rochas (Ptyonoprogne rupestris) está associada a escarpas e ambientes rochosos, mas também pode utilizar construções. Em Portugal continental, pode ser observada durante todo o ano, embora existam movimentos sazonais.
A andorinha-dáurica (Cecropis daurica) apresenta uma região alaranjada junto à base da cauda e pode construir ninhos de lama característicos em estruturas abrigadas.
A andorinha-das-barreiras (Riparia riparia) é menor e tem partes superiores castanhas, escavando cavidades de nidificação em barreiras arenosas ou terrosas.
A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) apresenta estas diferenças no seu guia de identificação publicado na revista Pardela. SPEA
Porque as andorinhas deixam Portugal no outono
A disponibilidade de insetos voadores é um fator central na ecologia destas aves.
Durante a primavera e o verão, muitas paisagens portuguesas oferecem recursos alimentares favoráveis à reprodução. Com a progressão do outono, as condições meteorológicas e a atividade de numerosos insetos começam a alterar-se.
As andorinhas migradoras aproveitam então os recursos de outras regiões, deslocando-se para áreas africanas onde podem continuar a alimentar-se.
Este comportamento envolve adaptações evolutivas e respostas fisiológicas sazonais. Não depende exclusivamente de uma descida momentânea da temperatura.
Quando começa a migração
Os primeiros movimentos podem começar ainda no final do verão, antes do início oficial do outono.
Setembro e outubro são meses importantes para a passagem e partida de muitas andorinhas em Portugal, mas existem diferenças entre espécies e indivíduos.
Algumas aves permanecem até mais tarde, enquanto outras já iniciaram a deslocação durante agosto. As condições meteorológicas e o sucesso da reprodução também podem influenciar o calendário.
Porque as andorinhas se juntam em grandes bandos
Durante o período pós-reprodutor, é possível observar concentrações de andorinhas sobre campos, zonas húmidas e áreas ricas em insetos.
Estas reuniões podem estar associadas à alimentação, ao repouso coletivo e à preparação para a migração.
As aves também podem utilizar dormitórios comunitários, incluindo caniçais, onde passam a noite em conjunto.
A presença de um grande bando não significa que todos os indivíduos estejam prestes a partir no dia seguinte. Algumas concentrações podem repetir-se ao longo de vários dias.
As andorinhas nos fios elétricos
Os fios elétricos oferecem locais elevados e relativamente desimpedidos para pousar.
Neles, as andorinhas podem descansar, limpar as penas, interagir com outros indivíduos e observar a área envolvente.
Estas estruturas são particularmente visíveis para as pessoas, o que torna as reuniões de andorinhas um dos sinais mais conhecidos da aproximação do outono.
Como as andorinhas se preparam para a viagem
A migração exige energia, e a preparação inclui alimentação suficiente para sustentar períodos de voo prolongado.
As reservas corporais, a condição da plumagem e o estado fisiológico influenciam a capacidade de deslocação.
Contudo, não existe uma regra universal segundo a qual todas as andorinhas duplicam o peso antes de viajar. As estratégias dependem das distâncias, dos obstáculos e das oportunidades de alimentação.
A viagem também não é necessariamente contínua. Muitas aves fazem paragens para descansar e recuperar energia.
A importância dos insetos na alimentação
As andorinhas são aves predominantemente insetívoras aéreas. Capturam pequenas presas enquanto voam, utilizando a agilidade e a abertura relativamente larga do bico.
A alimentação pode incluir moscas, mosquitos, pequenos insetos alados e outros artrópodes disponíveis no ambiente.
Campos agrícolas, pastagens, zonas húmidas e áreas abertas podem oferecer oportunidades importantes de alimentação.
A quantidade e o tipo de presas variam conforme a estação e o habitat. Não é correto afirmar que todas as andorinhas se alimentam exclusivamente de mosquitos.
A captura de insetos em pleno voo
As asas compridas e a elevada capacidade de manobra permitem realizar mudanças rápidas de direção.
A ave acompanha visualmente as presas e ajusta o voo para as capturar, muitas vezes com movimentos próximos do solo ou da água.
Estas adaptações tornam a disponibilidade de insetos voadores particularmente relevante para a sobrevivência e para o sucesso da migração.
A grande viagem entre a Europa e África
Depois de deixarem as áreas de reprodução, muitas andorinhas europeias deslocam-se para sul, passando pela Península Ibérica e alcançando diferentes regiões africanas.
Portugal ocupa uma posição geográfica importante neste processo. Além das aves que aqui nidificam, podem observar-se indivíduos provenientes de outras regiões europeias durante a passagem migratória.
As rotas dependem da população, das condições meteorológicas e das oportunidades de alimentação. Algumas aves utilizam corredores associados à parte ocidental do Mediterrâneo, enquanto outras realizam travessias por percursos diferentes.
A migração das andorinhas pode prolongar-se por milhares de quilómetros, mas não existe uma distância única aplicável a todas as aves que partem de Portugal.
A travessia do Mediterrâneo
O Mediterrâneo representa um obstáculo geográfico para muitas aves terrestres, sobretudo quando não existem locais próximos onde possam descansar.
O vento, a chuva e as condições atmosféricas influenciam a escolha do percurso e as oportunidades de atravessamento.
As andorinhas podem alimentar-se durante algumas fases da deslocação, mas nem sempre encontram insetos em quantidade suficiente. Por isso, as reservas energéticas e os locais de paragem desempenham um papel importante.
Nem todas atravessam o mar no mesmo ponto ou utilizam a mesma estratégia.
A travessia do deserto do Saara
O Saara representa outro desafio, devido à aridez, às temperaturas extremas e à distribuição irregular de alimento e água.
As aves podem ajustar os movimentos às condições ambientais e utilizar diferentes estratégias de voo e repouso.
A travessia não deve ser descrita como uma viagem realizada obrigatoriamente sem paragens. As oportunidades variam entre rotas, regiões e períodos.
O British Trust for Ornithology explica que as andorinhas e outras aves da família Hirundinidae realizam frequentemente migrações diurnas, com paragens para recuperar energia, incluindo antes de atravessarem grandes barreiras geográficas. BTO
Como as andorinhas encontram o caminho
A orientação migratória das aves é um fenómeno complexo, que envolve mecanismos biológicos e diferentes informações ambientais.
Em várias espécies de aves migradoras, a investigação demonstrou a importância de mecanismos inatos de orientação, sinais solares, informação geomagnética e experiência adquirida.
Contudo, não se deve assumir que todos estes mecanismos têm exatamente a mesma importância ou estão igualmente demonstrados nas duas espécies de andorinhas aqui descritas.
A experiência individual e as condições encontradas ao longo da viagem também podem influenciar os percursos.
Não existe fundamento para afirmar que cada andorinha possui um mapa completo e imutável de todos os locais por onde passará.
Onde passam o inverno as andorinhas
Muitas andorinhas-das-chaminés que se reproduzem na Europa passam os meses de inverno em regiões da África subsariana.
Podem utilizar savanas, pastagens, zonas agrícolas e ambientes húmidos onde existem insetos voadores. Algumas populações deslocam-se até regiões da África austral, embora a distribuição não seja igual para todas as aves europeias.
As andorinhas-dos-beirais também passam a época não reprodutora em África, mas determinados aspetos da sua distribuição de inverno permanecem menos conhecidos.
A RSPB assinala que ainda existem lacunas importantes sobre os locais exatos de invernada de algumas populações desta espécie. RSPB
A vida das andorinhas em África
Durante a invernada, as aves continuam ativas e necessitam de se alimentar regularmente.
Podem explorar diferentes habitats e utilizar dormitórios coletivos, deslocando-se conforme a disponibilidade de alimento e as condições ambientais.
Não hibernam nem permanecem imóveis durante os meses em que estão ausentes de Portugal.
A época passada em África é uma parte fundamental do ciclo anual, tão importante para a sobrevivência como a reprodução na Europa.
Porque as andorinhas regressam na primavera
Com a aproximação da primavera europeia, o aumento da duração dos dias e as condições favoráveis à reprodução contribuem para o movimento migratório em direção a norte.
A disponibilidade de insetos e os locais adequados para construir ninhos são especialmente importantes.
Em Portugal, algumas andorinhas começam a surgir ainda durante fevereiro, enquanto outras chegam ao longo de março e abril. A época de chegada varia conforme a espécie, a região e as condições de cada ano.
A SPEA refere que os registos de chegada podem apresentar diferenças consideráveis entre anos, influenciadas também pelas condições nas áreas africanas de invernada. SPEA
As andorinhas regressam ao mesmo ninho
Algumas andorinhas apresentam fidelidade aos locais de reprodução e podem regressar a edifícios anteriormente utilizados.
Quando um ninho sobrevive em boas condições, determinados indivíduos podem reutilizá-lo ou repará-lo.
No entanto, não existe garantia de que a mesma ave regresse todos os anos ao mesmo local. A sobrevivência durante a migração, a disponibilidade dos ninhos e as condições da área influenciam esse comportamento.
As andorinhas também não transportam os ninhos nas viagens para África. Estas estruturas permanecem nos locais de nidificação.
Porque os ninhos das andorinhas devem ser protegidos
As construções humanas oferecem locais importantes de reprodução para a andorinha-das-chaminés e a andorinha-dos-beirais.
A destruição de ninhos pode eliminar locais utilizados durante anos e comprometer a reprodução, sobretudo quando existem ovos ou crias.
Em Portugal, a legislação de proteção das aves selvagens estabelece restrições à destruição, danificação e remoção de ninhos, incluindo ninhos vazios. As exceções exigem procedimentos e autorizações apropriados.
A SPEA explica estas obrigações na sua orientação sobre proteção legal dos ninhos de andorinha em Portugal. SPEA
Como ajudar as andorinhas que nidificam em edifícios
A medida mais importante consiste em preservar os ninhos existentes e evitar perturbar as aves durante a reprodução.
Quando a acumulação de dejetos cria incómodos, pode ser possível instalar uma pequena plataforma de recolha abaixo do ninho, sem impedir o acesso das aves.
Em locais adequados, ninhos artificiais específicos também podem ser considerados, embora a sua ocupação não esteja garantida.
Antes de realizar obras ou alterações que possam afetar ninhos protegidos, é necessário consultar as autoridades competentes, nomeadamente o ICNF.
As andorinhas e os ecossistemas agrícolas
As paisagens agrícolas tradicionais podem oferecer boas condições para as andorinhas, especialmente quando combinam pastagens, campos abertos, pontos de água e edifícios adequados à nidificação.
A presença de insetos voadores permite às aves procurar alimento durante a reprodução e a migração.
Contudo, as andorinhas não eliminam todas as pragas agrícolas. Alimentam-se de diferentes insetos, incluindo espécies que não provocam danos nas culturas.
A diversidade de habitats e a gestão equilibrada da paisagem são fundamentais para manter recursos alimentares disponíveis.
As principais ameaças à migração das andorinhas
A redução dos locais de nidificação, as alterações dos habitats agrícolas e a diminuição de determinados recursos alimentares podem afetar as populações.
A utilização de pesticidas também pode influenciar a disponibilidade de insetos e provocar exposição a substâncias prejudiciais, dependendo das circunstâncias.
Durante a migração, as aves enfrentam ainda condições meteorológicas extremas, secas, alterações dos locais de paragem e outros perigos associados às infraestruturas humanas.
As alterações climáticas podem modificar os calendários migratórios e a disponibilidade sazonal de alimento. Contudo, os efeitos diferem entre espécies, populações e regiões.
Os dados da SPEA indicam tendências distintas em Portugal: a andorinha-das-chaminés apresentou declínio no período de monitorização de 2004 a 2024, enquanto a andorinha-dos-beirais mostrou uma tendência globalmente estável nesse intervalo. SPEA
Como os cientistas estudam a migração das andorinhas
A anilhagem científica permite identificar aves individualmente e recolher informações quando são novamente observadas ou capturadas.
Os investigadores também recorrem a geolocalizadores, dispositivos de seguimento adequados, censos e observações de campo.
Os programas de ciência cidadã permitem reunir registos de chegada, partida e distribuição geográfica, complementando a investigação profissional.
Nem todas as aves podem ser acompanhadas continuamente. A combinação destes métodos ajuda a compreender melhor as rotas, os calendários e os habitats utilizados.
Como observar a migração das andorinhas em Portugal
As zonas húmidas, os campos agrícolas abertos e os locais de repouso coletivo são espaços interessantes para observar andorinhas durante o fim do verão e o outono.
Os binóculos permitem acompanhar as aves sem necessidade de aproximação. É importante evitar perturbar dormitórios, colónias de nidificação e locais onde existam crias.
A observação regular do mesmo local pode revelar mudanças no número de aves e nos seus comportamentos ao longo das semanas.
Tabela comparativa das duas espécies principais
| Característica | Andorinha-das-chaminés | Andorinha-dos-beirais |
|---|---|---|
| Nome científico | Hirundo rustica | Delichon urbicum |
| Cauda | Longa e profundamente bifurcada | Mais curta e menos bifurcada |
| Parte inferior | Clara, garganta avermelhada | Predominantemente branca |
| Dorso | Azul-escuro | Escuro, com uropígio branco |
| Ninho | Taça aberta de lama | Estrutura de lama quase fechada |
| Local habitual | Construções rurais e edifícios | Beirais e fachadas |
| Migração | Muitas populações invernam em África | Muitas populações invernam em África |
A identificação pode ser difícil quando as aves voam rapidamente ou são observadas em condições de pouca luz.
Calendário aproximado da migração das andorinhas
| Período | Comportamento possível |
|---|---|
| Primavera | Chegada e início da reprodução |
| Primavera e verão | Nidificação e criação das crias |
| Fim do verão | Reuniões pós-reprodutoras e início da migração |
| Setembro e outubro | Passagem e partida de muitas aves |
| Inverno | Permanência em regiões africanas de invernada |
| Final do inverno e primavera | Regresso progressivo das populações migradoras |
Este calendário descreve tendências gerais e não deve ser interpretado como uma sequência de datas obrigatórias para todas as espécies.
Mitos comuns sobre a migração das andorinhas
Todas as andorinhas são da mesma espécie. Portugal apresenta várias espécies com características físicas e estratégias migratórias diferentes.
Todas partem em setembro. Algumas iniciam os movimentos antes, enquanto outras permanecem até mais tarde.
As andorinhas deixam Portugal apenas por causa do frio. A migração depende de ritmos biológicos, reprodução, disponibilidade alimentar e condições ambientais.
Todas seguem a mesma rota para África. Os percursos variam entre populações e indivíduos.
As andorinhas voam sem parar até ao destino. Podem realizar paragens para alimentação e repouso.
Passam o inverno a hibernar. Continuam ativas nas regiões africanas de invernada.
Todas regressam ao mesmo ninho. Algumas reutilizam locais conhecidos, mas esse comportamento não é garantido.
Os ninhos vazios podem ser destruídos livremente. A legislação portuguesa prevê proteção e condições específicas para intervenções autorizadas.
As andorinhas alimentam-se apenas de mosquitos. Capturam diversos insetos voadores, de acordo com a disponibilidade.
Como ajudar as andorinhas e outras aves migratórias
A conservação começa pela proteção dos locais de reprodução e dos habitats ricos em insetos.
Preservar ninhos, manter sebes e vegetação adequada, reduzir a utilização desnecessária de pesticidas e proteger zonas húmidas são medidas que podem beneficiar estas aves.
A agricultura favorável à biodiversidade também ajuda a manter oportunidades de alimentação e locais adequados à nidificação.
Para explorar outros conteúdos relacionados com a conservação da natureza, consulte o Tesouros do Jardim.
A proteção das andorinhas exige cooperação entre países europeus e africanos, porque as condições encontradas durante a migração e a invernada influenciam a sobrevivência das populações.
Conclusão
A migração das andorinhas é um dos fenómenos naturais que melhor demonstram as ligações ecológicas entre Portugal, o resto da Europa e África.
Depois de terminarem a reprodução, muitas andorinhas-das-chaminés e andorinhas-dos-beirais iniciam uma deslocação sazonal em direção a regiões africanas onde encontram recursos alimentares durante os meses mais frios.
Os bandos reunidos nos fios elétricos são uma imagem característica desta época, mas não indicam necessariamente uma partida imediata.
Durante a viagem, estas aves dependem da sua capacidade de orientação, das reservas energéticas, das condições meteorológicas e da disponibilidade de insetos.
Na primavera, muitas regressam aos territórios europeus para iniciar um novo ciclo reprodutor, utilizando frequentemente construções humanas como locais de nidificação.
Proteger os ninhos, conservar os habitats e favorecer a disponibilidade de alimento são medidas importantes para a continuidade deste fenómeno.
Quando as andorinhas partem no outono, não desaparecem da natureza: continuam um ciclo migratório que liga Portugal a África e regressam quando as condições voltam a favorecer a reprodução.