Como podar a figueira para melhorar a estrutura e proteger a produção

Uma figueira adulta pode passar vários anos a crescer praticamente sem intervenção e continuar a produzir. Com o tempo, porém, a copa pode tornar-se demasiado densa, com ramos cruzados, crescimento dirigido para o interior, rebentos a partir da base e zonas onde vários ramos competem pelo mesmo espaço.

É nestas situações que a poda pode ser útil. O objetivo não deve ser simplesmente retirar uma grande quantidade de madeira, mas melhorar a estrutura da árvore, controlar o tamanho quando necessário e eliminar crescimento mal colocado.

Saber como podar a figueira exige também compreender onde se formam os figos. Dependendo da cultivar e das condições de cultivo, a remoção de madeira do ano anterior pode reduzir ou eliminar a primeira colheita, frequentemente denominada breba. Por isso, não existe uma intensidade de poda nem um calendário que possa ser aplicado de forma universal a todas as figueiras.

Índice

  1. A figueira precisa realmente de poda?
  2. Como a figueira produz os frutos
  3. Quando podar a figueira
  4. Quais os ramos que devem ser removidos primeiro
  5. Como abrir uma figueira demasiado densa
  6. Poda ligeira, poda de formação e poda severa
  7. Como reduzir uma figueira velha ou demasiado grande
  8. Poda verde e controlo de rebentos vigorosos
  9. Técnica de corte, ferramentas e cuidados com o látex
  10. Erros frequentes na poda da figueira
  11. Perguntas frequentes

A figueira precisa realmente de poda?

Nem todas as figueiras precisam de uma poda anual significativa.

A University of California Integrated Pest Management salienta que as figueiras maduras podem produzir com pouca poda e que, à medida que envelhecem, a intervenção tende a tornar-se menos vigorosa. A poda durante o repouso pode ser utilizada principalmente para retirar ramos partidos ou que interferem uns com os outros, corrigir problemas estruturais e controlar crescimento excessivo.

Numa árvore adulta saudável, os principais objetivos podem ser:

  • eliminar madeira morta ou danificada;
  • impedir que ramos se cruzem e rocem continuamente;
  • controlar dimensões incompatíveis com o espaço disponível;
  • reduzir congestionamento localizado;
  • retirar rebentos basais que não sejam necessários;
  • manter uma estrutura equilibrada e acessível.

Uma figueira com espaço suficiente, uma estrutura razoavelmente aberta e crescimento equilibrado pode necessitar apenas de pequenas correções.

A poda não deve, portanto, ser considerada uma obrigação anual de reduzir toda a copa. Deve responder a um problema concreto.

Como a figueira produz os frutos

Este é um dos aspetos mais importantes antes de fazer qualquer corte.

Algumas figueiras podem produzir duas colheitas. A primeira, conhecida como breba, desenvolve-se sobre madeira formada durante a estação de crescimento anterior. A colheita principal desenvolve-se no crescimento da estação corrente. A University of California refere também que nem todas as cultivares apresentam o mesmo comportamento relativamente à produção de brebas.

Esta diferença tem consequências diretas para a poda.

Se uma cultivar produzir uma breba importante e forem eliminados durante a poda muitos dos ramos formados no ano anterior, parte do potencial dessa primeira colheita desaparece juntamente com essa madeira.

Por outro lado, a colheita principal está normalmente associada ao crescimento novo da estação.

O padrão não deve ser generalizado a todas as cultivares. Existem diferenças importantes entre tipos e variedades de figueira, incluindo na capacidade de produzir brebas e nas exigências de polinização. A informação da University of California mostra, por exemplo, diferenças claras entre figueiras comuns, Smyrna e San Pedro.

Por isso, antes de realizar uma poda importante, é útil identificar a cultivar sempre que possível e observar em que madeira aparecem habitualmente os primeiros figos.

Quando podar a figueira

Não existe um calendário universal válido para todas as regiões.

O momento adequado depende do clima, da cultivar, da idade da árvore, do sistema de condução, do risco de frio e do tipo de intervenção pretendida.

Uma parte importante da poda estrutural pode ser realizada durante o repouso vegetativo. Neste período, a ausência de folhas também facilita a observação da estrutura, permitindo identificar ramos cruzados, danificados ou excessivamente congestionados.

Contudo, mesmo as recomendações institucionais variam de acordo com o contexto climático. A Royal Horticultural Society, escrevendo para condições britânicas, recomenda que uma parte importante da poda seja realizada na primavera depois de passar o risco de frio intenso, complementada por intervenções durante o início do verão.

Já orientações da University of California para determinadas condições recomendam a poda durante a dormência e alertam para a importância de preservar madeira do ano anterior quando a breba é relevante.

Estas diferenças demonstram por que razão uma indicação como “podar entre outubro e fevereiro” não deve ser apresentada como regra geral.

O calendário deve ser adaptado ao local e ao comportamento da própria árvore.

Quais os ramos que devem ser removidos primeiro

Uma poda organizada começa pela identificação das prioridades, e não pelo encurtamento indiscriminado de todos os ramos.

Madeira morta ou danificada

Comece por madeira claramente morta, partida ou seriamente danificada. Esta remoção simplifica a estrutura e permite avaliar melhor o que permanece.

Ramos que se cruzam

Quando dois ramos ocupam praticamente o mesmo espaço e roçam um no outro, normalmente faz sentido selecionar o ramo mais bem posicionado e retirar o concorrente.

Crescimento dirigido para o interior

Numa copa congestionada, alguns ramos crescem diretamente para o centro, ocupando espaço e aumentando a sobreposição.

A remoção seletiva de alguns desses ramos pode melhorar a distribuição da estrutura.

Rebentos basais desnecessários

As figueiras produzem frequentemente rebentos a partir da base. Alguns podem ser aproveitados quando se pretende renovar uma figueira conduzida com vários caules, mas os restantes podem ser eliminados junto da origem.

Ramos que congestionam excessivamente a copa

Quando vários ramos ocupam a mesma zona, é geralmente preferível retirar alguns ramos inteiros cuidadosamente selecionados em vez de cortar indiscriminadamente as pontas de todos eles.

A UC IPM recomenda precisamente a remoção de ramos interferentes e partidos e a manutenção de crescimento suficiente sem estimular rebentação excessiva.

Como abrir uma figueira demasiado densa

Imagine uma figueira adulta cuja copa se transformou numa massa compacta de pequenos e grandes ramos.

A solução não consiste em transformar rapidamente essa copa numa estrutura quase vazia.

Primeiro, observe a árvore completa e identifique os principais ramos estruturais. Depois, retire madeira morta e ramos evidentemente problemáticos. Só então deve decidir onde existe congestionamento suficiente para justificar novo desbaste.

Sempre que possível, utilize cortes de desbaste, eliminando um ramo selecionado até à sua origem ou até uma ramificação lateral adequada.

Depois de alguns cortes importantes, volte a observar a árvore.

Uma copa muito aberta de uma só vez não é necessariamente melhor. Em climas com radiação solar intensa, a remoção excessiva de folhagem pode ainda expor subitamente troncos e ramos anteriormente sombreados. Orientações da University of California alertam especificamente para a sensibilidade da casca da figueira a queimaduras solares após exposição causada por poda intensa.

O objetivo é obter equilíbrio, não uma copa vazia.

Poda ligeira, poda de formação e poda severa

Estas intervenções têm objetivos diferentes.

A poda ligeira corresponde sobretudo à manutenção. Retiram-se ramos mortos, danificados, cruzados ou mal posicionados e controla-se algum crescimento excessivo. Numa figueira adulta equilibrada, pode ser suficiente.

A poda de formação ocorre sobretudo durante os primeiros anos ou quando existe um sistema específico de condução. O objetivo é estabelecer os ramos principais e criar uma estrutura adequada ao espaço disponível.

Uma figueira também pode ser conduzida em formas diferentes. Pode crescer como árvore, arbusto com vários caules ou ser conduzida contra uma estrutura.

A poda severa é outra situação. Pode tornar-se necessária quando uma figueira antiga ultrapassou claramente o espaço disponível ou precisa de renovação estrutural.

Mas uma intervenção severa provoca frequentemente crescimento vegetativo vigoroso. A RHS recomenda que a renovação de uma figueira madura demasiado grande seja distribuída por vários anos sempre que possível, precisamente devido à forte rebentação que pode seguir uma poda intensa.

Como reduzir gradualmente uma figueira velha ou demasiado grande

Uma figueira antiga pode atingir dimensões pouco práticas para um pequeno jardim.

Em vez de reduzir toda a copa à mesma altura numa única operação, avalie quais os ramos que estão realmente a causar o problema.

Pode ser necessário eliminar um ramo estrutural mal colocado, reduzir outro até uma ramificação lateral e conservar outros praticamente intactos.

A renovação gradual apresenta uma vantagem importante: permite observar a resposta da árvore antes da intervenção seguinte.

Depois de uma poda forte, podem surgir numerosos rebentos vigorosos. Se toda a árvore tiver sido reduzida drasticamente, controlar essa resposta pode tornar-se mais difícil.

Quando não existe uma razão urgente para uma renovação total, distribuir a redução ao longo de várias estações tende a permitir uma reconstrução mais controlada da copa. A RHS recomenda esta abordagem para figueiras maduras que ultrapassaram o espaço disponível.

Além disso, se a cultivar produzir uma breba significativa, uma redução forte da madeira do ano anterior pode diminuir essa colheita.

Poda verde e controlo de rebentos vigorosos

A poda verde corresponde a pequenas intervenções realizadas enquanto a figueira está em crescimento.

Pode ser utilizada para controlar rebentos excessivamente vigorosos, eliminar crescimento claramente mal colocado ou orientar uma árvore conduzida numa estrutura.

A RHS utiliza, em determinados sistemas de condução, o despontar de crescimento novo durante o início do verão para controlar o vigor e favorecer ramificação. A própria instituição alerta, contudo, para a necessidade de considerar os pequenos frutos e o crescimento que contribuirá para a produção seguinte.

Não é necessário transformar esta técnica numa operação obrigatória para todas as figueiras.

Numa árvore adulta livre e equilibrada, pode ser preferível limitar a poda verde à remoção de rebentos claramente indesejáveis.

Também é importante considerar o látex libertado pelos cortes durante o crescimento ativo.

Técnica correta de corte, ferramentas e cuidados com o látex

Uma tesoura de poda afiada é adequada para ramos pequenos. Para madeira de maior diâmetro, uma serra de poda permite normalmente obter um corte mais controlado.

As ferramentas devem estar limpas, afiadas e dimensionadas para o ramo.

Nos cortes de desbaste, retire o ramo junto do ponto natural de inserção, respeitando a zona de união e evitando deixar um cepo longo sem função.

Nos ramos grandes, trabalhe de forma a evitar que o peso do ramo arranque uma faixa de casca quando este cai. A remoção em etapas permite controlar melhor a operação.

Existe ainda uma precaução específica da figueira: o látex branco libertado por folhas, frutos e cortes pode irritar a pele. A RHS recomenda a utilização de luvas e vestuário protetor durante a poda.

Evite tocar nos olhos ou no rosto enquanto trabalha e lave a pele exposta caso entre em contacto com o látex.

Erros frequentes na poda da figueira

Um erro comum é podar intensamente todos os anos simplesmente porque chegou a “época da poda”. Uma figueira madura e equilibrada pode precisar de pouca intervenção.

Outro é cortar todos os ramos à mesma altura. Esta prática elimina indiscriminadamente madeira bem e mal posicionada e pode estimular numerosos rebentos vigorosos.

Também é problemático remover madeira produtiva sem considerar a cultivar. Se a figueira produz brebas na madeira formada no ano anterior, uma poda forte dessa madeira pode comprometer a primeira colheita.

Deixar cepos longos depois de eliminar ramos também deve ser evitado quando o objetivo é remover definitivamente esse crescimento.

Outro erro consiste em abrir excessivamente a copa numa única intervenção, especialmente numa árvore que esteve densamente sombreada durante anos.

Por fim, uma poda mais intensa não significa automaticamente maior produção.

A resposta depende da cultivar, vigor, clima, disponibilidade de água, sistema de condução, idade da árvore e quantidade e tipo de madeira removida. A poda deve ser utilizada para gerir a árvore, não como promessa de aumento de produção.

Perguntas frequentes

É obrigatório podar a figueira todos os anos?

Não. Figueiras adultas podem produzir com pouca poda. A necessidade de intervenção depende sobretudo da estrutura, tamanho, vigor e sistema de condução.

Qual é a melhor época para podar uma figueira?

Não existe uma data universal. A poda estrutural é frequentemente associada ao repouso vegetativo ou ao período imediatamente posterior ao risco de frio intenso, dependendo do clima. Intervenções ligeiras também podem ser realizadas durante o crescimento. A cultivar e o objetivo da poda devem ser considerados.

Uma poda forte aumenta a quantidade de figos?

Não necessariamente. Pode estimular crescimento vegetativo vigoroso e remover madeira potencialmente produtiva. Não deve ser utilizada apenas com a expectativa de aumentar a produção.

Posso cortar uma figueira muito grande?

Sim, a figueira tolera reduções consideráveis, mas uma renovação forte pode provocar rebentação vigorosa. Quando não existe urgência, uma redução gradual ao longo de várias estações permite controlar melhor a resposta da árvore.

O que é a breba?

É a primeira colheita produzida por determinadas figueiras a partir de estruturas formadas na madeira da estação anterior. A importância desta colheita varia conforme a cultivar.

Retirar ramos do ano anterior pode eliminar figos?

Pode reduzir a breba nas cultivares que a produzem nessa madeira. Por isso, é importante compreender o padrão de frutificação antes de realizar uma poda extensa.

Os rebentos que aparecem junto ao solo devem ser sempre eliminados?

Não obrigatoriamente. Se a intenção for manter uma árvore com tronco definido, normalmente são removidos. Numa figueira conduzida como arbusto de vários caules, alguns podem ser aproveitados para renovação estrutural.

Conclusão

Aprender como podar a figueira não significa aprender uma fórmula fixa de cortes ou seguir um calendário universal.

Uma figueira adulta saudável pode necessitar de relativamente pouca poda. Quando a intervenção é necessária, deve começar pela madeira morta ou danificada, ramos cruzados, crescimento mal orientado, rebentos basais desnecessários e zonas claramente congestionadas.

Numa figueira demasiado densa, o desbaste seletivo permite reorganizar a copa sem a deixar excessivamente despida. Numa árvore velha ou demasiado grande, uma redução gradual pode ser preferível a uma transformação radical numa única operação.

Acima de tudo, a poda deve considerar como aquela figueira produz. A breba, quando existe, desenvolve-se em madeira formada na estação anterior, enquanto a colheita principal está associada ao crescimento da estação corrente. Retirar indiscriminadamente madeira do ano anterior pode, portanto, afetar a primeira colheita.

A intensidade e a época da poda dependem da cultivar, do clima, da idade da árvore, do sistema de condução e do objetivo pretendido.

O princípio mais útil é simples: preservar uma estrutura saudável e equilibrada, remover apenas a madeira que tem uma razão concreta para sair e evitar confundir uma poda mais intensa com uma produção necessariamente maior.