A compostagem doméstica permite transformar uma parte significativa dos resíduos da cozinha e do jardim num material orgânico útil para o solo. Cascas de fruta, restos de legumes, folhas secas ou borras de café podem ganhar uma segunda vida em vez de serem simplesmente colocados no lixo indiferenciado.
No entanto, saber o que é compostável resíduos orgânicos é essencial para que o processo funcione corretamente. Nem todos os restos alimentares devem entrar num compostor doméstico. Alguns materiais podem provocar maus cheiros, atrair animais ou dificultar o equilíbrio da decomposição.
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) considera os resíduos biodegradáveis de jardins e parques, assim como resíduos alimentares e de cozinha, dentro da categoria dos biorresíduos. A compostagem doméstica é uma das formas de reciclagem destes materiais na origem.
Neste guia explicamos o que pode ir para o compostor, quais os materiais que devem ficar de fora e como manter um processo equilibrado, sem odores desagradáveis ou visitas indesejadas.
Índice
- O que são resíduos orgânicos compostáveis
- Materiais verdes e castanhos
- O que pode ir para o compostor
- O que não deve ir para o compostor
- Como equilibrar os materiais
- Como evitar maus cheiros
- Como evitar moscas, roedores e outras pragas
- Problemas comuns e soluções
- Quando o composto está pronto
- FAQ
- Conclusão
O que são resíduos orgânicos compostáveis?
A compostagem é um processo biológico através do qual materiais orgânicos biodegradáveis são progressivamente decompostos pela ação de microrganismos e outros organismos.
Quando existe um equilíbrio adequado de materiais, humidade e oxigénio, o conteúdo inicial vai perdendo as suas características originais e transforma-se gradualmente num material escuro e com aspeto semelhante a terra.
Na compostagem doméstica, não basta, portanto, colocar todos os restos de comida dentro de um recipiente.
É necessário selecionar os materiais adequados e manter condições que favoreçam a decomposição.
Uma das formas mais simples de compreender este equilíbrio consiste em separar os resíduos compostáveis em duas grandes categorias: verdes e castanhos.
Materiais verdes e castanhos
A LIPOR divide os materiais utilizados na compostagem doméstica precisamente nestes dois grupos. Os chamados materiais verdes são geralmente húmidos e ricos em azoto, enquanto os castanhos são normalmente mais secos e ricos em carbono.
Materiais verdes
São materiais normalmente frescos e húmidos.
Entre os exemplos encontram-se:
- cascas e restos de fruta;
- restos de vegetais crus;
- hortaliças;
- borras de café;
- sacos de chá adequados;
- flores;
- relva cortada;
- restos de plantas saudáveis.
Estes materiais fornecem humidade e nutrientes importantes para os organismos responsáveis pela decomposição.
No entanto, uma quantidade excessiva de verdes pode deixar a pilha demasiado húmida e compactada.
Materiais castanhos
São materiais mais secos e ricos em carbono.
Alguns exemplos são:
- folhas secas;
- pequenos ramos;
- palha;
- erva seca;
- serradura de madeira não tratada;
- papel e cartão simples adequados;
- agulhas de pinheiro;
- restos de frutos secos.
Os castanhos ajudam a criar estrutura dentro da pilha e são particularmente importantes para controlar a humidade.
Um compostor saudável precisa dos dois grupos.
O que pode ir para o compostor?
Para quem começa, a regra mais segura é optar sobretudo por resíduos vegetais simples e materiais secos provenientes do jardim.
Cascas e restos de fruta
Cascas de maçã, pera, banana e outras frutas podem ser compostadas.
Fruta demasiado madura ou deteriorada também pode ser aproveitada.
Sempre que possível, corte pedaços grandes antes de os adicionar. Uma maior superfície de contacto facilita o trabalho dos organismos decompositores.
Restos de legumes e hortaliças
Cascas, talos, folhas e outras partes vegetais resultantes da preparação das refeições são excelentes materiais verdes.
Cenoura, curgete, alface, couves e muitos outros vegetais podem entrar no compostor.
Borras de café
As borras de café são adequadas para compostagem doméstica e aparecem entre os materiais recomendados pela LIPOR.
Podem ser espalhadas pela pilha e misturadas com outros resíduos.
Evite, porém, acumular grandes quantidades numa única camada compacta.
Sacos de chá
O conteúdo do chá pode ser compostado.
No caso das saquetas, convém verificar o material utilizado pelo fabricante, porque algumas podem conter componentes sintéticos. Em caso de dúvida, abra a saqueta e coloque apenas as folhas de chá no compostor.
Cascas de ovos
As cascas de ovos também podem ser utilizadas.
Esmagá-las antes de as adicionar aumenta a superfície disponível e evita encontrar grandes fragmentos no composto posteriormente. A LIPOR inclui explicitamente as cascas de ovos esmagadas entre os materiais adequados.
Folhas secas
As folhas secas são um dos materiais castanhos mais úteis.
Durante o outono, pode guardar folhas num local seco e utilizá-las gradualmente ao longo do ano sempre que adicionar resíduos húmidos da cozinha.
Relva cortada
A relva pode ser compostada, mas deve ser adicionada com moderação.
Uma camada muito espessa de relva fresca tende a compactar-se e pode reduzir a circulação de ar.
Misture-a com folhas secas, pequenos ramos ou outros materiais castanhos.
Pequenos ramos
Ramos finos ajudam a criar espaços de circulação de ar dentro da pilha.
Cortá-los em pedaços pequenos acelera a decomposição.
Papel e cartão simples
Pequenas quantidades de papel e cartão adequados podem funcionar como fonte de carbono.
Devem ser rasgados ou cortados em pedaços para facilitar a mistura.
Evite materiais plastificados, brilhantes ou contaminados com substâncias que não devem entrar no composto.
O que não deve ir para o compostor doméstico?
Nem tudo o que é biodegradável é adequado a um pequeno compostor doméstico.
A LIPOR recomenda não colocar vários materiais problemáticos, incluindo carne, ossos, peixe, produtos lácteos, alimentos gordurosos, plantas doentes ou tratadas com determinados produtos químicos e excrementos de animais domésticos.
Carne, peixe e ossos
Num sistema doméstico convencional, estes resíduos devem ser evitados.
Podem produzir odores intensos durante a decomposição e aumentar significativamente o risco de atração de animais.
A própria APA identifica resíduos de carne ou peixe como uma possível causa para um compostor atrair animais.
Produtos lácteos
Queijo, leite, natas e outros produtos lácteos não são recomendados para um compostor doméstico convencional.
Além dos odores, podem tornar o sistema mais atrativo para pragas.
Gorduras e molhos
Manteiga, óleos e molhos gordurosos também devem ficar de fora.
A gordura não só pode criar odores como também interfere com a estrutura e o arejamento da pilha.
Excrementos de cães e gatos
Não coloque fezes de animais domésticos no composto que pretende utilizar na horta.
Além da questão dos odores, podem estar associados a microrganismos e parasitas indesejáveis.
Plantas doentes
Restos de plantas claramente afetadas por doenças são geralmente uma má escolha para pequenos sistemas domésticos.
Uma pilha doméstica pode não atingir condições suficientes para eliminar determinados agentes patogénicos.
Plantas com sementes problemáticas
Ervas infestantes que já desenvolveram sementes também merecem atenção.
Se as sementes sobreviverem ao processo, podem posteriormente ser espalhadas pelo jardim juntamente com o composto.
Madeira tratada
Serradura e aparas devem provir de madeira adequada e não tratada.
Materiais provenientes de madeira pintada, envernizada ou quimicamente tratada não devem ser utilizados.
Carvão e pontas de cigarro
Também devem ser excluídos.
A LIPOR inclui carvão e pontas de cigarro na sua lista de materiais que não devem ser colocados no compostor doméstico.
Como equilibrar os resíduos orgânicos na compostagem
O segredo de um compostor eficiente não está apenas na escolha dos resíduos, mas também no equilíbrio entre eles.
Sempre que colocar uma quantidade significativa de restos húmidos de cozinha, acrescente também material seco.
Por exemplo, uma camada de restos de legumes pode ser coberta com folhas secas ou cartão adequado rasgado.
Evite criar grandes camadas de um único material.
Misturar diferentes texturas favorece a circulação de ar e reduz a formação de zonas excessivamente húmidas.
Como evitar maus cheiros no compostor
Um compostor doméstico corretamente equilibrado não deve produzir constantemente odores fortes.
Quando isso acontece, normalmente existe um desequilíbrio.
Cheiro a ovos podres
Segundo as orientações da APA, este cheiro pode indicar uma pilha demasiado húmida.
A solução recomendada consiste em adicionar materiais castanhos e remexer a pilha.
Folhas secas, pequenos pedaços de cartão ou outros materiais secos adequados ajudam a absorver o excesso de humidade.
Cheiro ácido ou desagradável
Uma quantidade excessiva de materiais verdes também pode provocar odores.
Neste caso, volte a aumentar a proporção de castanhos.
Falta de circulação de ar
A decomposição eficiente depende da presença de oxigénio.
Quando os resíduos ficam excessivamente compactados, podem formar-se zonas com pouco ar.
Remexer cuidadosamente a pilha ajuda a restabelecer a circulação.
Como evitar pragas no compostor

A preocupação em evitar pragas compostor começa pela seleção dos materiais.
Não colocar carne, peixe, lacticínios e alimentos gordurosos reduz consideravelmente o interesse do compostor para muitos animais.
Mas existem outros cuidados importantes.
Cobrir os restos frescos
Evite deixar cascas de fruta ou outros restos de cozinha expostos na superfície.
Cubra-os com folhas secas ou outro material castanho.
A APA recomenda precisamente cobrir os restos alimentares superficiais com castanhos e manter a tampa do compostor devidamente fechada quando existe atração de animais.
Manter a tampa fechada
Se utilizar um compostor com tampa, mantenha-o corretamente fechado sem impedir a ventilação prevista pelo próprio equipamento.
Controlar a humidade
Um composto extremamente seco também pode criar problemas.
Por exemplo, a APA refere que a presença de formigas pode estar associada a um composto demasiado seco, recomendando adicionar alguma água e remexer.
O objetivo não é encharcar.
O material deve permanecer húmido sem libertar água em excesso.
Problemas comuns na compostagem doméstica
A pilha não aquece
Pode existir uma quantidade insuficiente de materiais verdes ou pouca humidade.
Adicione algum material verde e verifique a humidade antes de fazer alterações maiores.
A compostagem está muito lenta
Os materiais podem ser demasiado grandes.
Cortar os resíduos em pedaços menores aumenta a superfície disponível para os organismos decompositores e pode acelerar o processo. Esta é também uma das soluções indicadas pela APA para uma compostagem demasiado lenta.
O conteúdo está demasiado molhado
Adicione materiais secos e remexa.
Também é importante garantir que o compostor está num local com drenagem adequada.
Existem muitas moscas
Cubra os resíduos frescos com uma camada de material castanho e evite deixar fruta exposta.
Verifique igualmente se não foram adicionados alimentos inadequados.
Quando o composto está pronto?
Com o tempo, deixa de ser fácil identificar os materiais inicialmente colocados no compostor.
Segundo as orientações da APA, após aproximadamente três a quatro meses já pode ser observada formação de composto em determinadas condições, embora a duração varie consoante clima, materiais e gestão do processo. O composto formado apresenta aspeto semelhante a terra, cor escura e ausência de odor desagradável.
Não existe, portanto, um calendário absolutamente fixo.
Temperatura, humidade, tamanho dos resíduos, frequência de revolvimento e composição da mistura influenciam a velocidade da decomposição.
O produto final pode ser utilizado no jardim ou misturado com terra para determinadas utilizações em vasos. A APA refere, por exemplo, uma proporção de uma parte de composto para duas partes de terra em vasos e sementeiras.
FAQ sobre resíduos orgânicos e compostagem
Todos os resíduos orgânicos são compostáveis em casa?
Não.
Um material pode ser biodegradável e, ainda assim, não ser adequado a um compostor doméstico convencional. Carne, peixe, lacticínios e gorduras são exemplos importantes.
Posso colocar cascas de citrinos?
Sim, em quantidades domésticas normais e integradas numa mistura variada.
Cortar cascas grandes em pedaços menores ajuda a sua decomposição.
As borras de café podem ir para o compostor?
Sim.
São um dos materiais indicados para compostagem doméstica. Devem ser misturadas com os restantes resíduos em vez de acumuladas numa camada muito espessa.
Posso colocar cascas de ovos?
Sim.
É aconselhável esmagá-las antes de as adicionar ao compostor.
Posso colocar restos de comida cozinhada?
Num compostor doméstico convencional, é mais seguro privilegiar restos vegetais crus e seguir as orientações do sistema local. O guia de compostagem caseira da LIPOR inclui restos de comida cozinhada, nomeadamente carne, ossos ou peixe, entre os materiais a não colocar.
O composto deve cheirar mal?
Um odor forte e persistente normalmente indica um problema.
Excesso de água, demasiados materiais verdes ou pouco arejamento são causas frequentes.
Um composto maduro deverá apresentar um cheiro semelhante ao da terra, e não um odor intenso a resíduos em decomposição.
É necessário regar o compostor?
Pode ser necessário se a mistura estiver demasiado seca.
A água deve ser adicionada gradualmente. O objetivo é manter humidade suficiente para a atividade biológica sem encharcar os materiais.
Quanto tempo demora a compostagem?
Não existe um prazo único.
As condições ambientais e a gestão da pilha influenciam significativamente o processo. A APA indica que pode ser observada formação de composto ao fim de cerca de três a quatro meses, embora o tempo possa variar.
Conclusão
Perceber o que é compostável resíduos orgânicos é o primeiro passo para manter um compostor doméstico eficiente. Cascas de frutas e legumes, borras de café, folhas secas, relva, pequenos ramos e outros materiais vegetais podem ser transformados num recurso útil para o jardim.
Ao mesmo tempo, materiais como carne, peixe, produtos lácteos, gorduras, excrementos de animais domésticos e plantas doentes devem ser evitados num sistema doméstico convencional. Esta seleção ajuda a reduzir odores e a evitar a atração de animais.
Uma boa compostagem depende ainda do equilíbrio entre materiais verdes e castanhos, de humidade moderada e de circulação de ar. Quando estes fatores estão equilibrados, os resíduos orgânicos compostagem deixam progressivamente de parecer desperdício e transformam-se num material escuro e útil para o solo.
A compostagem doméstica é, assim, uma forma prática de reciclar biorresíduos na própria origem, reduzindo a quantidade de matéria orgânica enviada para outros sistemas de tratamento e devolvendo nutrientes ao solo.