No final do verão e início do outono, uma imagem torna-se familiar em muitas paisagens portuguesas: dezenas ou centenas de andorinhas pousadas em fios, vedações, telhados ou árvores, enquanto outras continuam a alimentar-se sobre campos e zonas húmidas.
Estas concentrações são frequentemente descritas de forma poética como “a última reunião das andorinhas”. Biologicamente, porém, não existe necessariamente uma única reunião final.
Antes e durante a migração podem ocorrer vários agrupamentos. Algumas aves permanecem numa região durante algum tempo, outras estão apenas de passagem e diferentes indivíduos podem iniciar a viagem em datas distintas.
Também é importante perceber que “andorinha” não designa uma única espécie. Portugal recebe várias espécies com ecologia e calendários diferentes.
Entre elas, a andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica) é uma migradora trans-saariana particularmente conhecida. Depois da reprodução, grande parte das populações europeias desloca-se para África subsaariana.
A viagem, contudo, não começa simplesmente quando um grande bando abandona simultaneamente um fio. Trata-se de um período complexo de alimentação, concentração, repouso e movimentos progressivos que pode prolongar-se durante semanas.
Índice
- Que andorinhas encontramos em Portugal
- Porque se juntam antes da migração
- As grandes concentrações nos fios
- Dormitórios coletivos
- Quando começa a migração de outono
- A viagem entre Portugal e África
- Como atravessam o Mediterrâneo
- Onde passam o inverno
- Como conseguem realizar uma viagem tão longa
- Alimentação antes e durante a migração
- Os juvenis e a primeira viagem
- O regresso na primavera
- Ameaças durante a migração
- Como observar sem perturbar
- Erros frequentes
- Perguntas frequentes
Que andorinhas encontramos em Portugal
A andorinha-das-chaminés é provavelmente a espécie mais facilmente associada à paisagem rural portuguesa.
Hirundo rustica possui partes superiores escuras com reflexos azulados, garganta avermelhada e uma cauda profundamente bifurcada, particularmente evidente nos adultos.
A SPEA indica que ocorre amplamente em Portugal Continental e descreve-a como presente sobretudo entre fevereiro e outubro, embora estas datas devam ser entendidas como um enquadramento geral e não como limites rígidos para cada indivíduo.
Outra espécie muito conhecida é a andorinha-dos-beirais (Delichon urbicum), reconhecível pelo uropígio branco e pelos ninhos de lama frequentemente construídos debaixo de beirais.
Portugal também recebe a andorinha-dáurica (Cecropis daurica), com tonalidades claras ou alaranjadas no uropígio e nuca, além da andorinha-das-rochas (Ptyonoprogne rupestris), associada sobretudo a zonas rochosas.
Os censos da SPEA confirmam a presença regular tanto da andorinha-das-chaminés como da andorinha-dos-beirais em Portugal Continental.
Não devemos, contudo, aplicar automaticamente à andorinha-dos-beirais ou à andorinha-dáurica aquilo que um estudo demonstrou especificamente para Hirundo rustica.
Cada espécie possui a sua própria fenologia e estratégia migratória.
Porque as andorinhas se juntam antes da migração
Depois da época reprodutora, a necessidade de permanecer permanentemente junto do ninho desaparece.
Adultos e juvenis começam então a utilizar a paisagem de forma diferente.
Áreas com elevada disponibilidade de insetos podem concentrar numerosas aves. Zonas húmidas, campos, pastagens e outras áreas produtivas funcionam como locais de alimentação durante este período.
A SPEA destaca precisamente as grandes concentrações de andorinhas observadas em zonas húmidas portuguesas antes da migração para sul, onde as aves encontram alimento.
Ao mesmo tempo, formam-se agrupamentos em locais de repouso.
A concentração permite que muitas aves utilizem os mesmos recursos favoráveis, mas não significa necessariamente que constituam um grupo permanente que realizará toda a viagem em conjunto.
Indivíduos podem chegar e partir continuamente.
Um agrupamento observado hoje pode, portanto, conter uma combinação diferente de aves amanhã.

Porque pousam tantas andorinhas nos fios
Os fios elétricos e telefónicos oferecem algo muito simples: um poleiro elevado, comprido e relativamente desimpedido.
Dezenas de aves podem pousar lado a lado.
Entre períodos de alimentação, estes locais permitem repousar, cuidar da plumagem e permanecer próximos de outras aves que exploram a mesma área.
Vedações, ramos nus, telhados e outras estruturas elevadas podem desempenhar funções semelhantes.
A imagem de centenas de andorinhas alinhadas num cabo tornou-se um dos símbolos visuais da migração de outono precisamente porque estes poleiros tornam uma concentração muito fácil de observar.
Mas um fio cheio de aves não significa necessariamente que todas partirão nessa noite.
Algumas podem permanecer na região. Outras podem continuar a deslocação. Outras ainda podem ser migradoras que acabaram de chegar de territórios situados mais a norte.
Dormitórios coletivos: muito mais do que um fio
É importante distinguir um poleiro diurno de um dormitório coletivo.
Durante o dia, as andorinhas podem descansar temporariamente em fios ou árvores entre períodos de alimentação.
Ao anoitecer, grandes grupos de Hirundo rustica podem concentrar-se em dormitórios, frequentemente associados a caniçais e outros habitats com vegetação adequada.
Estes locais podem reunir aves provenientes de uma área muito mais ampla.
Antes de entrar no dormitório, é possível observar grandes movimentos de andorinhas sobre a vegetação. Depois, as aves descem para passar a noite protegidas entre os caules.
Os dormitórios são particularmente importantes durante os períodos pré-migratório e migratório.
Por isso, a conservação das zonas húmidas não interessa apenas às aves aquáticas. Estes habitats também podem oferecer alimento e locais de repouso a pequenas aves migradoras.
Quando começa a migração de outono em Portugal
Não existe um dia de partida.
A migração pós-nupcial desenvolve-se durante um período alargado e inclui aves locais e indivíduos provenientes de outras regiões europeias que atravessam a Península Ibérica.
A SPEA enquadra geralmente a presença da andorinha-das-chaminés em Portugal entre fevereiro e outubro e refere as concentrações observadas antes da migração de outono.
Estudos realizados noutras populações europeias mostram igualmente que Hirundo rustica realiza a migração pós-reprodutora ao longo de várias semanas. Populações estudadas na Europa centro-meridional deslocaram-se para sul durante setembro e outubro.
Estes dados não devem ser transformados numa data portuguesa universal.
Idade, região, reprodução, meteorologia e condições de alimentação podem influenciar o momento em que cada indivíduo inicia ou continua a viagem.
Assim, ainda observar andorinhas numa determinada localidade não significa que “a migração ainda não começou”. Outras aves podem já estar centenas ou milhares de quilómetros mais a sul.
De Portugal até África
Para muitas andorinhas-das-chaminés europeias, a migração representa uma ligação anual entre os territórios de reprodução europeus e regiões da África subsaariana.
Portugal encontra-se numa posição importante dentro do sistema migratório ocidental.
A Península Ibérica pode ser utilizada tanto por aves que nela se reproduziram como por migradores provenientes de regiões situadas mais a norte.
Mas não existe uma única autoestrada aérea utilizada por todas as andorinhas europeias.
Estudos com geolocalizadores demonstraram diferenças importantes entre populações. Aves que se reproduzem em diferentes partes da Europa podem utilizar corredores distintos e ocupar diferentes regiões africanas durante a fase não reprodutora.
Mesmo dentro da mesma população existe variação individual.
Por isso, “a viagem para África” descreve um fenómeno continental, não uma rota única com um destino único.
Como atravessam o Mediterrâneo
Ao contrário dos grandes abutres, as andorinhas não dependem exclusivamente de correntes térmicas para percorrer grandes distâncias.
São aves de voo ativo e altamente aéreas.
Isso permite-lhes atravessar extensões de mar, embora Mediterrâneo e Saara continuem a representar importantes barreiras ecológicas.
Dados obtidos através de geolocalizadores demonstram claramente que populações diferentes podem atravessar estas barreiras através de regiões distintas.
Num estudo com 85 andorinhas-das-chaminés de populações reprodutoras do norte de Itália e sul da Suíça, por exemplo, muitas aves utilizaram uma rota central durante a migração pós-reprodutora, passando pela região da Córsega e Sardenha antes de entrar em África através da Tunísia. Algumas utilizaram trajetórias diferentes, incluindo passagens mais ocidentais.
Na migração de primavera, os mesmos investigadores encontraram trajetórias mais ocidentais, incluindo movimentos pela Península Ibérica.
O exemplo é particularmente útil porque demonstra aquilo que não devemos fazer: assumir que todas as andorinhas europeias utilizam obrigatoriamente Gibraltar ou qualquer outro corredor específico.
Onde passam o inverno
“África” é uma descrição demasiado ampla para representar um único destino.
As populações europeias de Hirundo rustica distribuem-se por extensas regiões da África subsaariana durante a fase não reprodutora.
A conectividade depende parcialmente da origem das aves.
Um estudo que combinou dados de anilhagem, isótopos estáveis e parasitas encontrou ligações diferentes entre populações europeias e regiões africanas: populações reprodutoras mais setentrionais apresentaram maior ligação ao sul de África, enquanto populações meridionais mostraram maior ligação à África ocidental e central.
Outro estudo com geolocalizadores mostrou que muitas andorinhas do centro-sul europeu permaneceram principalmente na bacia do Congo, enquanto uma pequena proporção alcançou regiões muito mais a sul.
Estes resultados mostram por que não devemos representar todas as andorinhas portuguesas como viajando para um único ponto num mapa africano.
Como uma ave tão pequena consegue fazer esta viagem
A andorinha-das-chaminés pesa apenas algumas dezenas de gramas, mas possui uma fisiologia e uma forma corporal adaptadas a uma vida fortemente aérea.
A migração não depende simplesmente de armazenar energia suficiente para realizar toda a viagem de uma só vez.
As aves acumulam reservas, deslocam-se, procuram alimento e utilizam áreas favoráveis durante o percurso.
Locais de paragem permitem recuperar energia antes de continuar.
A duração da viagem também não é universal. Distância, vento, meteorologia, disponibilidade de alimento, rota e duração das paragens modificam consideravelmente o tempo necessário.
Estudos de geolocalização confirmam esta variação individual e demonstram que as rotas de primavera e outono podem ser diferentes até para aves pertencentes à mesma população.
Alimentar-se antes e durante a migração
As andorinhas são insetívoras aéreas.
Capturam pequenos insetos enquanto voam, razão pela qual campos, pastagens e zonas húmidas produtivas podem concentrar grandes números de aves.
A SPEA caracteriza a andorinha-das-chaminés como uma migradora trans-saariana que se alimenta de insetos em pleno voo.
Antes da migração, a disponibilidade de alimento é particularmente importante para construir reservas energéticas.
Durante a viagem, as aves podem continuar a alimentar-se quando encontram condições favoráveis.
A meteorologia influencia diretamente este processo.
Temperaturas baixas, chuva intensa e vento podem reduzir a atividade de muitos insetos voadores. Pelo contrário, determinadas condições quentes e estáveis podem favorecer uma maior disponibilidade de presas.
Por isso, habitats ricos em insetos ao longo da rota possuem importância que vai muito além dos locais de reprodução.
Os juvenis e a primeira viagem para África
As jovens andorinhas nascidas nesse ano enfrentam uma tarefa extraordinária.
Depois de abandonarem o ninho e adquirirem capacidade de alimentação independente, entram no mesmo sistema migratório utilizado pelos adultos.
Isto não significa que cada família permaneça junta durante todo o percurso até África.
As concentrações pós-reprodutoras misturam aves e a migração não deve ser imaginada simplesmente como pais conduzindo os juvenis durante milhares de quilómetros.
A orientação migratória das aves resulta de uma combinação de mecanismos inatos e informação ambiental, cuja importância relativa varia entre espécies.
Nas andorinhas, os juvenis conseguem realizar a primeira migração sem depender de acompanhamento parental permanente.
A experiência adquirida durante essa primeira viagem pode posteriormente contribuir para os movimentos realizados em anos seguintes.
O regresso na primavera
Quando termina a fase não reprodutora, começa a viagem em sentido contrário.
Mais uma vez, não existe uma data única.
Aves provenientes de diferentes regiões africanas iniciam a deslocação em momentos distintos e percorrem trajetórias que podem diferir das utilizadas no outono.
Estudos com geolocalizadores mostram precisamente a existência de migração em circuito em algumas populações de Hirundo rustica: a rota de regresso pode estar deslocada relativamente à rota utilizada para viajar para África.
A SPEA assinala o reaparecimento das andorinhas em Portugal a partir do final do inverno, com a chegada de aves migradoras associada ao início da primavera.
Adultos que sobreviveram podem demonstrar fidelidade às regiões de reprodução utilizadas anteriormente.
Assim recomeça o ciclo: ocupação dos territórios, construção ou reutilização dos ninhos, reprodução, crescimento dos juvenis e, meses depois, nova migração.
Ameaças durante a migração
Uma ave migradora depende de muito mais do que do local onde constrói o ninho.
Precisa de áreas onde possa alimentar-se durante o percurso, locais adequados para repousar e condições que permitam atravessar grandes barreiras geográficas.
A degradação de zonas húmidas pode eliminar simultaneamente recursos alimentares e dormitórios coletivos.
Mudanças no uso agrícola e redução da abundância de insetos também são relevantes para aves insetívoras.
Em Portugal, o Censo de Aves Comuns da SPEA classificou a tendência da andorinha-das-chaminés como negativa no período analisado entre 2004 e 2020, sublinhando a importância de acompanhar as populações destas aves agrícolas.
Durante a migração, condições meteorológicas extremas acrescentam outro risco.
Uma população migradora depende, portanto, de uma cadeia de habitats distribuídos por vários países.
Como observar concentrações sem perturbar
Grandes concentrações de andorinhas podem proporcionar excelentes oportunidades de observação.
A melhor estratégia é manter distância.
Num grupo pousado em fios ou árvores, evite aproximar-se repetidamente até provocar levantamentos coletivos.
Nos dormitórios, a cautela deve ser ainda maior.
Não entre num caniçal ocupado por milhares de aves ao anoitecer apenas para conseguir uma fotografia mais próxima. O movimento repetido das aves em resposta à presença humana representa gasto energético desnecessário durante uma fase exigente do ciclo anual.
Binóculos permitem observar o comportamento sem aproximação.
Também vale a pena observar a composição do grupo. Uma concentração aparentemente uniforme pode conter mais do que uma espécie.
Erros frequentes sobre as andorinhas antes da migração
O primeiro é interpretar um fio cheio de aves como uma “última reunião”.
Podem ocorrer numerosas concentrações antes e durante a migração.
Também não é correto assumir que todas partirão simultaneamente. Um grupo pode incluir aves locais e indivíduos em passagem.
Outro erro consiste em considerar todas as andorinhas iguais. Hirundo rustica, Delichon urbicum e Cecropis daurica não devem receber automaticamente o mesmo calendário ou a mesma rota.
Da mesma forma, não existe um único destino africano.
Populações europeias de Hirundo rustica utilizam diferentes regiões da África subsaariana.
Finalmente, andorinhas não são andorinhões.
Os andorinhões pertencem à família Apodidae, enquanto as verdadeiras andorinhas pertencem à família Hirundinidae. Apesar de ambos capturarem insetos em voo e apresentarem silhuetas adaptadas à vida aérea, pertencem a grupos evolutivos diferentes.
Perguntas frequentes
Porque as andorinhas se juntam nos fios?
Os fios proporcionam poleiros elevados onde muitas aves podem repousar entre períodos de alimentação. As concentrações tornam-se especialmente visíveis durante o período pós-reprodutor e migratório.
Quando partem as andorinhas de Portugal?
Não existe uma única data. Na andorinha-das-chaminés, o movimento para sul ocorre sobretudo no final do verão e durante o outono, mas varia entre indivíduos, regiões e anos. A SPEA enquadra geralmente a presença da espécie em Portugal Continental entre fevereiro e outubro.
Todas as andorinhas migram para África?
As principais espécies migradoras presentes em Portugal realizam movimentos para sul, mas comportamento, rotas e calendário dependem da espécie e população. Não se deve aplicar automaticamente o padrão da andorinha-das-chaminés a todas as Hirundinidae.
Onde passam o inverno?
Muitas andorinhas-das-chaminés europeias passam a fase não reprodutora na África subsaariana. A região concreta depende da população, e estudos mostram ligações distintas com África ocidental, central e austral.
Quanto dura a viagem?
Não existe uma duração universal. Rota, distância, condições meteorológicas, alimentação e duração das paragens variam. Estudos com geolocalizadores mostram diferenças consideráveis entre indivíduos.
Os juvenis viajam com os pais?
Não necessariamente. Jovens nascidos nesse ano participam na migração, mas não se deve imaginar que cada família permanece unida durante todo o percurso até África.
Porque formam dormitórios coletivos?
Grandes grupos podem utilizar locais adequados, incluindo caniçais, para repousar durante a noite. Estes dormitórios devem ser distinguidos dos agrupamentos temporários observados durante o dia em fios e outros poleiros.
Quando regressam a Portugal?
As primeiras aves podem reaparecer a partir do final do inverno, mas a chegada ocorre progressivamente. A SPEA refere a presença da andorinha-das-chaminés em Portugal Continental sobretudo a partir de fevereiro.
Conclusão
Uma longa fila de andorinhas num fio ao final de uma tarde de setembro pode parecer uma despedida coletiva.
É uma imagem poderosa, mas a realidade biológica é mais complexa.
“As andorinhas reúnem-se pela última vez” funciona como expressão poética. Na natureza, podem existir várias concentrações antes e durante a migração. Aves chegam, alimentam-se, repousam e continuam a viagem em momentos diferentes.
Também não existe uma única viagem para África.
Espécies diferentes apresentam estratégias próprias e, mesmo dentro da andorinha-das-chaminés, estudos de anilhagem e geolocalização revelam diferentes rotas e ligações entre populações europeias e regiões africanas.
Fios, campos e zonas húmidas que concentram aves no final do verão são apenas diferentes elementos deste período de transição.
Os dormitórios coletivos acrescentam outra dimensão, permitindo que grandes números de aves utilizem os mesmos locais de repouso antes ou durante a passagem migratória.
Para uma ave com apenas algumas dezenas de gramas, a ligação anual entre Europa e África exige uma sequência de territórios adequados: áreas de reprodução, locais ricos em insetos, pontos de repouso, corredores migratórios e regiões africanas utilizadas durante a fase não reprodutora.
É essa sequência que transforma as concentrações de final de verão em algo mais significativo do que uma simples “última reunião”.
Não estamos necessariamente a observar um bando prestes a partir em conjunto. Estamos a assistir a uma fase de um enorme movimento migratório em que cada ave segue o seu próprio calendário dentro de um ciclo que liga continentes.