Aves que chegam a Portugal no outono para passar o inverno

A transformação da avifauna portuguesa no outono é menos evidente do que a mudança das folhas ou a diminuição das horas de luz. Muitas espécies continuam aparentemente nos mesmos jardins, campos, montados e bosques, mas a composição das populações começa a mudar.

Enquanto aves estivais partem em direção a África, outras deslocam-se para sul a partir do norte e centro da Europa. Algumas passam apenas por Portugal. Outras permanecem durante grande parte do inverno. Há ainda espécies presentes durante todo o ano cuja população aumenta substancialmente com a chegada de indivíduos migradores.

O tordo-comum (Turdus philomelos) e o pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula) ilustram particularmente bem esta complexidade. Não é correto dizer simplesmente que ambos “chegam a Portugal no outono”. O tordo-comum nidifica também em partes do território português e torna-se muito mais comum no inverno, enquanto o pisco pode ser observado durante todo o ano, embora indivíduos vindos do norte da Europa reforcem a população invernante.

A paisagem de inverno resulta, portanto, de uma mistura dinâmica de residentes, visitantes de inverno e migradores de passagem.

Índice

  1. Porque Portugal recebe aves no outono
  2. O tordo-comum
  3. O pisco-de-peito-ruivo
  4. Outras aves que chegam ou aumentam no inverno
  5. De onde vêm
  6. Quando começam a chegar
  7. Como sabemos a origem das aves
  8. Porque Portugal é importante durante o inverno
  9. Alimentação no outono e inverno
  10. Jardins, parques e pomares
  11. O território de inverno do pisco
  12. Residentes, invernantes e migradores de passagem
  13. O que acontece na primavera
  14. Como observar sem perturbar
  15. Erros frequentes
  16. Perguntas frequentes

Porque Portugal recebe aves no outono

A migração não deve ser explicada simplesmente como uma fuga ao frio.

Nas regiões mais setentrionais da Europa, a progressão do outono altera profundamente as condições ecológicas. Os dias encurtam, as temperaturas descem e muitos recursos alimentares tornam-se menos acessíveis.

Insetos diminuem, determinados frutos e sementes apresentam forte sazonalidade e solos congelados ou cobertos de neve podem dificultar a procura de invertebrados.

Para algumas populações, deslocar-se para sul aumenta o acesso a condições adequadas durante a fase não reprodutora.

Portugal encontra-se numa posição favorável.

O clima geralmente mais ameno relativamente ao norte europeu, associado a uma grande diversidade de habitats, permite que numerosas espécies encontrem alimento durante os meses frios.

Mas cada espécie responde de forma diferente. Algumas percorrem grandes distâncias; outras realizam movimentos relativamente curtos. Existem ainda espécies parcialmente migradoras, nas quais apenas uma parte da população se desloca.

Tordo-comum: residente numa região, visitante noutra

O tordo-comum, também chamado tordo-pinto ou tordo-músico, é um exemplo excelente de como os rótulos simples podem ser enganadores.

Turdus philomelos apresenta dorso castanho e partes inferiores claras cobertas por numerosas manchas escuras aproximadamente em forma de seta ou coração invertido.

Procura alimento frequentemente no solo, consumindo invertebrados, incluindo minhocas e caracóis, e complementando a dieta com frutos quando estes estão disponíveis.

Em Portugal, a espécie não deve ser classificada exclusivamente como visitante de inverno.

A SPEA indica que nidifica durante a primavera e verão sobretudo no Norte e Centro do país, enquanto no inverno se torna comum em todo o território. Utiliza bosques, florestas, zonas agrícolas e outros habitats com alimentação e cobertura adequadas.

A população observada no inverno inclui, portanto, uma componente migradora que aumenta fortemente a abundância da espécie.

Isto explica por que razão alguém pode quase não reparar em tordos durante o verão numa determinada região e encontrar numerosos indivíduos alguns meses depois.

Mas não permite concluir que cada tordo observado no inverno nasceu no norte da Europa.

Pisco-de-peito-ruivo: residente e migrador ao mesmo tempo

O pisco-de-peito-ruivo demonstra ainda melhor o conceito de migração parcial.

Erithacus rubecula é facilmente reconhecido pela região alaranjada que ocupa a face e o peito dos adultos, contrastando com as partes superiores acastanhadas.

A espécie utiliza bosques, sebes, jardins, parques e outras áreas com vegetação que permita procurar alimento próximo do solo.

Em Portugal existem piscos durante todo o ano.

Segundo a SPEA, durante a primavera e verão são particularmente abundantes a norte do Tejo, assim como nos Açores e Madeira. No inverno tornam-se comuns por todo o país. A organização refere explicitamente tanto os indivíduos que vivem em Portugal durante todo o ano como aqueles que chegam do norte da Europa para passar o inverno.

Portanto, observar um pisco num jardim em dezembro não permite determinar visualmente se estamos perante um residente ou um migrador.

O aumento da visibilidade da espécie no outono resulta da combinação entre movimentos migratórios, distribuição sazonal e comportamento territorial.

Outras aves que chegam ou aumentam durante o inverno

O tordo-ruivo (Turdus iliacus) oferece um exemplo mais claro de visitante vindo do norte.

É mais pequeno do que outros tordos comuns, apresenta uma sobrancelha clara bastante evidente e tonalidades avermelhadas nos flancos e debaixo das asas.

A SPEA indica que chega do norte da Europa a partir do outono e utiliza zonas agrícolas e orlas de bosque em Portugal.

A tordoveia (Turdus viscivorus) representa uma situação diferente: está presente durante todo o ano, especialmente em algumas regiões, mas torna-se mais abundante no inverno.

Também a alvéola-branca (Motacilla alba), o tentilhão (Fringilla coelebs), a toutinegra-de-barrete-preto e a petinha-dos-prados (Anthus pratensis) podem tornar-se particularmente evidentes durante o período invernal. A SPEA descreve esta mudança sazonal em locais como Sagres, onde visitantes provenientes de latitudes mais setentrionais se juntam à avifauna existente.

Nas zonas húmidas e no litoral, a transformação é ainda mais evidente.

Estuários portugueses recebem numerosos limícolas e outras aves aquáticas durante a fase não reprodutora. O Estuário do Sado, por exemplo, atinge no inverno uma elevada abundância de aves e recebe espécies sazonais como o pisco-de-peito-azul.

Na costa, a negrola-comum (Melanitta nigra) ocorre regularmente durante o inverno e períodos migratórios, especialmente em determinados setores do litoral português.

De onde vêm as aves que passam o inverno em Portugal

Não existe uma única origem.

Dependendo da espécie, aves observadas em Portugal podem ter-se reproduzido no norte, centro ou nordeste da Europa.

Algumas realizam movimentos relativamente curtos. Outras atravessam grande parte do continente.

Dentro da mesma espécie, populações geograficamente diferentes podem apresentar estratégias distintas.

É precisamente aqui que o conceito de migração parcial se torna importante.

Numa espécie parcialmente migradora, alguns indivíduos permanecem relativamente próximos das áreas de reprodução enquanto outros realizam movimentos sazonais consideráveis.

O pisco-de-peito-ruivo é um bom exemplo: Portugal possui aves residentes e recebe também migradores durante o inverno.

Por isso, as grandes setas utilizadas em mapas educativos devem ser interpretadas como representações simplificadas de movimentos gerais.

Não são estradas aéreas utilizadas exatamente da mesma forma por cada indivíduo.

Quando começam a chegar

Também não existe um calendário único de chegada.

O movimento pós-nupcial começa mais cedo em algumas espécies e prolonga-se mais noutras.

Setembro pode ainda ser dominado pela passagem de espécies que seguem para regiões mais meridionais. Em outubro e novembro tornam-se progressivamente evidentes vários visitantes de inverno.

O tordo-ruivo, por exemplo, é descrito pela SPEA como chegando do norte europeu a partir de outubro e novembro.

Isso não transforma “outubro a novembro” numa regra para todas as aves.

O borrelho-ruivo (Eudromias morinellus), por exemplo, ocorre em Portugal quase exclusivamente como migrador de passagem e é observado regularmente em Sagres sobretudo em setembro e outubro. Não deve ser confundido com um típico visitante que chega para permanecer durante todo o inverno.

Outras espécies apresentam máximos de abundância mais tarde.

A cronologia depende da espécie, origem, idade das aves, condições meteorológicas e características de cada ano.

Como sabemos de onde vêm estas aves

Durante muito tempo, a anilhagem científica constituiu uma das ferramentas fundamentais para estudar estas deslocações.

Uma ave é capturada por técnicos autorizados, identificada, medida e equipada com uma pequena anilha individual. Depois é libertada.

Se for posteriormente recapturada ou encontrada noutro local, a informação permite ligar dois pontos da sua história.

Milhares de registos acumulados durante décadas revelaram padrões migratórios que seriam impossíveis de descobrir apenas através de observações ocasionais.

Atualmente existem também tecnologias mais avançadas.

Geolocalizadores extremamente pequenos podem fornecer informação aproximada sobre movimentos de aves de reduzidas dimensões. Transmissores GPS ou sistemas de seguimento remoto permitem acompanhar determinadas espécies com muito maior precisão.

Dados de observação recolhidos por projetos de ciência cidadã complementam estas técnicas ao revelar mudanças sazonais na distribuição e abundância.

Nenhum destes métodos significa que todos os indivíduos utilizem exatamente a mesma rota.

Porque Portugal é importante durante o inverno

Portugal reúne uma diversidade extraordinária de ambientes numa área relativamente pequena.

Estuários como o Tejo e o Sado oferecem bancos de vasa, sapais, salinas, arrozais e águas pouco profundas importantes para numerosas aves aquáticas.

Os montados fornecem bolotas, insetos e outros recursos.

Bosques e sebes oferecem frutos, invertebrados e proteção.

Campos agrícolas podem fornecer sementes e zonas abertas de alimentação.

Jardins, parques e pomares acrescentam árvores, arbustos, solo descoberto e pequenos refúgios dentro das áreas urbanizadas.

O clima relativamente ameno permite ainda que muitos recursos permaneçam acessíveis quando regiões mais setentrionais enfrentam condições bastante mais rigorosas.

Portugal funciona, portanto, simultaneamente como território de inverno, corredor migratório e área de residência permanente, dependendo da espécie.

Alimentação no outono e inverno

As aves não utilizam todas os mesmos recursos.

Tordos procuram frequentemente invertebrados no solo, mas também consomem frutos disponíveis durante os meses frios.

Piscos alimentam-se de pequenos invertebrados e também podem consumir bagas e outros recursos vegetais. A SPEA refere insetos, azeitonas e bagas entre os alimentos utilizados pela espécie.

Tentilhões e outras aves granívoras exploram sementes.

Limícolas procuram diferentes invertebrados nos sedimentos das zonas húmidas.

Patos podem utilizar plantas aquáticas, sementes ou invertebrados, dependendo da espécie.

Não existe, portanto, uma única “dieta de inverno”.

Preservar uma paisagem diversificada é geralmente mais útil para a comunidade de aves do que tentar favorecer todas as espécies com um único recurso alimentar.

Porque vemos mais aves nos jardins

No outono e inverno, piscos, tordos e outras aves podem tornar-se particularmente evidentes perto das habitações.

Isto não significa necessariamente que a população local tenha aumentado na mesma proporção.

Pode existir uma verdadeira chegada de migradores, mas existem também alterações comportamentais e na utilização do habitat.

Quando o alimento fica menos disponível noutros locais, jardins, parques e pomares com vegetação diversificada podem tornar-se particularmente atrativos.

Frutos deixados em árvores e arbustos, folhas acumuladas onde existem invertebrados e vegetação densa para abrigo podem criar pequenas áreas favoráveis.

No caso do pisco, a própria distribuição portuguesa muda sazonalmente: no inverno a espécie é comum por todo o país.

O pisco canta também no inverno

O canto não pertence exclusivamente à primavera.

O pisco-de-peito-ruivo é fortemente territorial e utiliza sinais visuais e vocais para defender espaço contra outros indivíduos.

A SPEA descreve como tanto machos como fêmeas podem defender territórios, reagindo à presença de outros piscos.

Durante o outono, o estabelecimento de territórios de inverno ajuda a explicar por que o canto pode voltar a tornar-se evidente.

Esse comportamento não deve ser confundido automaticamente com o canto associado à reprodução primaveril.

Para uma ave que precisa de assegurar acesso a recursos durante meses de menor abundância, defender um território de alimentação pode ter grande importância.

Residentes, visitantes de inverno e migradores de passagem

Estes três conceitos ajudam a interpretar aquilo que observamos.

Uma espécie residente mantém populações presentes durante todo o ano numa determinada região.

Um visitante de inverno chega para passar a fase não reprodutora e regressa posteriormente às áreas de reprodução.

Um migrador de passagem utiliza Portugal sobretudo durante a viagem entre outras regiões, permanecendo apenas temporariamente.

A realidade pode ainda combinar estas categorias.

Uma espécie pode possuir indivíduos residentes em Portugal e, simultaneamente, receber migradores estrangeiros no inverno.

É precisamente o que acontece com o pisco-de-peito-ruivo.

O tordo-comum também apresenta uma situação mista: nidifica no Norte e Centro, mas torna-se comum em todo o país durante o inverno.

Já o borrelho-ruivo constitui um exemplo de espécie observada principalmente durante a passagem migratória.

O que acontece quando chega a primavera

A comunidade volta a reorganizar-se.

Muitos visitantes de inverno iniciam movimentos para norte em direção às áreas onde irão reproduzir-se.

As populações residentes permanecem.

Ao mesmo tempo, Portugal começa a receber espécies estivais provenientes de África.

Assim, uma ave que desaparece de um jardim português na primavera não desapareceu necessariamente porque algo aconteceu ao habitat. Pode simplesmente ter iniciado a migração para a área de reprodução.

No pisco-de-peito-ruivo, esta mudança torna-se particularmente visível porque a espécie continua abundante no período reprodutor sobretudo em determinadas regiões, enquanto no inverno está disseminada por todo o país.

As fronteiras entre “aves de verão” e “aves de inverno” são, portanto, menos rígidas do que parecem.

Como observar aves invernantes sem perturbação

Não é necessário aproximar-se excessivamente para observar estas aves.

Binóculos permitem acompanhar alimentação e comportamento territorial mantendo uma distância confortável.

Nos jardins, preservar vegetação estruturalmente diversa pode ser mais útil do que procurar tornar tudo excessivamente limpo.

Arbustos com frutos apropriados, sebes, árvores e áreas com folhas podem fornecer alimento e abrigo.

Uma fonte de água limpa e pouco profunda também pode ser útil, desde que seja mantida regularmente.

Em zonas húmidas, a distância torna-se ainda mais importante. Bandos de aves em repouso não devem ser obrigados a levantar voo repetidamente devido à aproximação de observadores ou fotógrafos.

Cada fuga representa energia gasta durante uma época em que os recursos podem ser limitados.

Erros frequentes sobre as aves que chegam no outono

O primeiro é afirmar que todos os piscos portugueses vêm do norte europeu. Existem aves que vivem em Portugal durante todo o ano e migradores que chegam no inverno.

O mesmo cuidado é necessário com o tordo-comum. A espécie também nidifica em Portugal, embora se torne muito mais disseminada e abundante durante o inverno.

Outro erro consiste em transformar outubro e novembro numa janela universal de chegada.

Cada espécie apresenta a sua própria fenologia.

Também é importante distinguir visitantes de inverno de migradores de passagem. Uma ave observada em setembro pode estar apenas a atravessar Portugal rumo a outro destino.

Finalmente, uma seta desenhada entre o norte da Europa e Portugal não representa necessariamente a trajetória real de um indivíduo.

As rotas migratórias são redes complexas e variáveis, não linhas fixas num mapa.

Perguntas frequentes

Que aves chegam a Portugal no outono?

Entre muitas outras, Portugal recebe tordos-ruivos, petinhas-dos-prados e diversas aves aquáticas e limícolas. Outras espécies, como o pisco-de-peito-ruivo e o tordo-comum, já estão presentes no país, mas tornam-se mais abundantes ou amplamente distribuídas no inverno.

De onde vêm os tordos que passam o inverno em Portugal?

Depende da espécie e do indivíduo. O tordo-ruivo chega do norte europeu, enquanto o tordo-comum possui também população reprodutora portuguesa e recebe um forte reforço invernal.

O pisco-de-peito-ruivo é residente ou migrador?

Pode ser ambos. Existem piscos residentes em Portugal e indivíduos provenientes do norte da Europa que passam aqui o inverno. É um exemplo útil de migração parcial.

Quando chegam as aves de inverno?

O movimento decorre durante um período prolongado. Algumas espécies aparecem ou aumentam desde o início do outono, enquanto outras se tornam mais evidentes posteriormente. Setembro, outubro e novembro não representam uma única janela universal.

Porque aparecem mais piscos nos jardins durante o outono?

A população portuguesa é reforçada por migradores e a distribuição da espécie altera-se durante o inverno. Mudanças na disponibilidade de alimento e comportamento territorial também podem torná-los mais visíveis.

Como sabemos de onde vêm as aves migradoras?

Através de métodos como anilhagem científica, recuperações de aves marcadas, geolocalizadores, transmissores e acompanhamento sistemático da distribuição das populações.

Quanto tempo permanecem em Portugal?

Depende da espécie, população e indivíduo. Alguns migradores permanecem durante grande parte da fase não reprodutora; outros utilizam Portugal apenas durante alguns dias ou semanas de passagem.

Quando regressam ao norte da Europa?

Os movimentos de primavera ocorrem progressivamente conforme a espécie e população. Não existe uma única data de partida para todas as aves invernantes.

Conclusão

A chegada do outono não substitui simplesmente as “aves de verão” por um conjunto completamente diferente de “aves de inverno”.

O processo é muito mais dinâmico.

Portugal mantém numerosas espécies residentes, recebe visitantes que aqui permanecem durante os meses frios e funciona simultaneamente como corredor para migradores que seguem para outros destinos.

O tordo-comum demonstra bem esta sobreposição. Nidifica em partes do Norte e Centro, mas no inverno torna-se comum por todo o país.

O pisco-de-peito-ruivo é ainda mais esclarecedor: existem indivíduos que vivem em Portugal durante todo o ano e outros que chegam do norte europeu para passar o inverno.

Outras espécies apresentam padrões diferentes. O tordo-ruivo é um visitante vindo do norte, enquanto algumas aves observadas intensamente no outono estão apenas de passagem.

Por isso, expressões como “chegada: outubro a novembro” devem ser utilizadas apenas como simplificações visuais. Na realidade, cada espécie possui um calendário próprio e esse calendário pode variar entre regiões e anos.

O mesmo acontece com os mapas migratórios. As setas ajudam a visualizar movimentos gerais entre regiões, mas não devem ser interpretadas como rotas exatas seguidas por todos os indivíduos.

A avifauna portuguesa de outono e inverno é melhor entendida como uma sobreposição de populações.

Algumas aves nasceram ou reproduziram-se em Portugal. Outras chegaram de regiões situadas muito mais a norte. Algumas permanecerão durante meses e outras continuarão a viagem poucos dias depois.

É precisamente esta mistura de residentes, visitantes de inverno e migradores de passagem que torna os campos, bosques, jardins, estuários e zonas húmidas portugueses tão diferentes durante os meses frios.