Num dia, existem apenas alguns pequenos pulgões num rebento novo. Pouco tempo depois, a mesma planta pode apresentar uma colónia concentrada nos caules, botões e folhas jovens.
Essa rapidez não é apenas impressão do jardineiro. Os pulgões possuem uma estratégia reprodutiva particularmente eficiente durante as épocas favoráveis. Em muitas espécies, as fêmeas podem reproduzir-se por partenogénese, sem necessidade de acasalamento, e dar origem diretamente a ninfas vivas. Além disso, ocorre um fenómeno extraordinário conhecido como “gerações telescópicas”: uma fêmea pode carregar filhas que já possuem dentro delas embriões da geração seguinte.
Essa combinação reduz vários intervalos que normalmente separam uma geração da seguinte. Quando alimento, temperatura e outras condições são favoráveis, uma pequena colónia pode, portanto, aumentar rapidamente.
Mas os pulgões não vivem sem limites. Predadores, parasitoides, clima, qualidade da planta hospedeira e competição ajudam a controlar as populações. Joaninhas estão entre os seus inimigos naturais mais conhecidos, enquanto algumas formigas podem produzir o efeito oposto, protegendo colónias de pulgões em troca da substância açucarada que eles eliminam.
Índice
- O que são os pulgões
- Partenogénese: reprodução sem acasalamento
- O fenómeno das gerações telescópicas
- Por que uma colónia aumenta tão rapidamente
- O aparecimento de pulgões alados
- A mudança para reprodução sexuada antes do inverno
- Do que os pulgões se alimentam
- Como os pulgões prejudicam as plantas
- Joaninhas e outros inimigos naturais
- A relação entre formigas e pulgões
- Como favorecer o controlo natural no jardim
- FAQ
- Conclusão
O que são os pulgões
Pulgões são pequenos insetos da superfamília Aphidoidea. Existem muitas espécies, associadas a uma enorme diversidade de plantas hospedeiras.
Podem ser verdes, negros, castanhos, amarelados, avermelhados ou apresentar outras tonalidades. Algumas espécies possuem revestimentos cerosos que alteram ainda mais a aparência.
O tamanho reduzido pode fazer com que os primeiros indivíduos passem despercebidos. Normalmente, a presença torna-se evidente quando vários pulgões aparecem agrupados nas partes mais tenras da planta.
Isso acontece porque esses tecidos frequentemente oferecem condições favoráveis para a alimentação.
O que torna os pulgões particularmente interessantes, contudo, não é apenas a alimentação. É a sua biologia reprodutiva.
Partenogénese: reprodução sem acasalamento
Durante períodos favoráveis, muitas espécies de pulgões conseguem produzir sucessivas gerações de fêmeas sem que ocorra fertilização.
O processo chama-se partenogénese.
Uma fêmea não precisa esperar por um macho
Na reprodução sexuada convencional, encontrar um parceiro e completar o acasalamento faz parte do processo que antecede a produção da descendência.
Na fase partenogenética dos pulgões, essa etapa desaparece.
Uma fêmea pode produzir descendentes sem fertilização. Em muitas espécies, essa fase também é vivípara: em vez de depositar ovos que precisam de completar o desenvolvimento no ambiente, a fêmea dá origem a ninfas vivas.
A University of Maryland Extension destaca precisamente a partenogénese como uma das razões pelas quais as populações de pulgões podem aumentar rapidamente.
As ninfas parecem versões menores dos adultos e continuam a desenvolver-se na planta hospedeira.
Quando amadurecem, essas novas fêmeas também podem começar a reproduzir-se.
O fenómeno das gerações telescópicas
A reprodução dos pulgões torna-se ainda mais extraordinária quando observamos aquilo que acontece dentro das fêmeas partenogenéticas.
Uma fêmea pode carregar embriões em desenvolvimento. Dentro de alguns desses embriões femininos, a geração seguinte já começou a formar-se.
Em termos simples, a mãe transporta uma filha que já contém o início da geração seguinte.
Este fenómeno é conhecido como “telescoping of generations”, ou gerações telescópicas.
Estudos sobre a estratégia reprodutiva dos pulgões descrevem essa sobreposição de gerações como uma característica que contribui para maximizar a rapidez do crescimento populacional.
Três gerações parcialmente sobrepostas
A expressão “telescópica” é particularmente apropriada porque diferentes gerações ficam encaixadas umas nas outras.
Não significa que existam três pulgões adultos completos dentro do mesmo inseto.
Significa que a fêmea possui embriões da geração seguinte e que, dentro dos embriões mais desenvolvidos, já podem estar presentes células ou embriões iniciais correspondentes à geração posterior.
Essa distinção é importante para evitar a versão exagerada frequentemente apresentada em explicações populares.
Por que uma colónia aumenta tão rapidamente
Agora torna-se mais fácil compreender o que acontece num rebento aparentemente limpo que recebe apenas algumas fêmeas.
Durante condições favoráveis, não é necessário estabelecer continuamente pares de machos e fêmeas.
As fêmeas reproduzem-se partenogeneticamente.
Produzem descendentes vivos.
As filhas já iniciaram parte do desenvolvimento reprodutivo antes mesmo de nascer.
E as novas fêmeas podem posteriormente continuar o mesmo processo.
A combinação de partenogénese, viviparidade e gerações telescópicas encurta o intervalo funcional entre sucessivas gerações.
O crescimento não continua indefinidamente
Essa capacidade não significa que uma colónia possa crescer sem qualquer limite.
A disponibilidade e qualidade do alimento mudam. Plantas envelhecem. O clima varia. Predadores e parasitoides encontram as colónias. Doenças e competição também podem afetar os insetos.
Por isso, números teóricos sobre quantos descendentes um único pulgão poderia originar não representam aquilo que normalmente acontece no jardim.
É mais correto compreender o mecanismo do que apresentar números espetaculares.
O aparecimento de pulgões alados
Outra característica ajuda as populações a ocupar novas plantas.
Nem todos os pulgões de uma colónia precisam de permanecer sem asas.
Em determinadas condições, podem aparecer formas aladas.
Quando a qualidade da planta diminui, quando existe grande concentração de indivíduos ou quando outros sinais ambientais mudam, a produção de formas capazes de dispersão pode aumentar em várias espécies.
Esses pulgões deixam a planta e procuram novos hospedeiros.
Ao encontrar uma planta adequada, podem iniciar novas colónias.
Assim, uma população não depende apenas da multiplicação no mesmo caule. Existe também capacidade de dispersão para outras plantas.
A mudança para reprodução sexuada antes do inverno
A partenogénese não é necessariamente utilizada durante todo o ano.
Em muitas espécies de regiões temperadas, existe uma mudança sazonal importante.
Durante a primavera e o verão, predominam gerações partenogenéticas. Com a aproximação do período frio, alterações ambientais, especialmente a redução do fotoperíodo e também condições de temperatura em determinadas espécies, podem desencadear a produção de formas sexuais.
Surgem então machos e fêmeas sexuais.
Depois do acasalamento, são produzidos ovos capazes de atravessar o período desfavorável.
Na primavera, esses ovos dão origem a uma nova fase do ciclo.
Nem todos os pulgões seguem exatamente esse modelo
A diversidade dos pulgões exige cautela.
Existem espécies e populações que apresentam variações consideráveis no ciclo reprodutivo. Em regiões de inverno ameno, algumas linhagens podem continuar a reproduzir-se assexuadamente em condições nas quais outras produziriam ovos de inverno.
Também existem espécies que alternam entre diferentes plantas hospedeiras durante o ciclo anual.
Por isso, o modelo partenogénese no verão, reprodução sexuada no outono e ovo no inverno é muito importante, mas não deve ser apresentado como regra absoluta para todos os pulgões em Portugal e no Brasil. Estudos mostram que estratégias sexuais e assexuais podem variar conforme espécie, linhagem e condições climáticas.
Do que os pulgões se alimentam
Pulgões possuem peças bucais especializadas para perfurar tecidos vegetais.
Os estiletes são introduzidos na planta até alcançarem tecidos condutores, especialmente o floema.
A seiva floémica é rica em açúcares, mas a alimentação dos pulgões envolve um desafio nutricional: eles precisam processar grandes quantidades de fluido para obter os nutrientes necessários.
Parte do excesso de açúcares é eliminada sob a forma de uma substância líquida conhecida como honeydew, frequentemente chamada de melada.
Essa secreção explica vários sinais associados às infestações.
Folhas e superfícies abaixo das colónias podem tornar-se pegajosas. Posteriormente, fungos superficiais conhecidos como fumagina podem desenvolver-se sobre os depósitos açucarados.
A melada também está no centro de uma das relações ecológicas mais interessantes envolvendo os pulgões: a associação com formigas.

Como os pulgões prejudicam as plantas
O dano varia conforme a espécie de pulgão, a planta hospedeira, a parte atacada e a intensidade da infestação.
Colónias são frequentemente encontradas em rebentos novos, folhas jovens e botões.
A alimentação pode estar associada a:
- folhas enroladas ou deformadas;
- amarelecimento;
- crescimento enfraquecido;
- deformação de rebentos;
- acumulação de melada;
- desenvolvimento de fumagina sobre superfícies açucaradas.
Fontes de extensão agrícola também destacam que diferentes pulgões podem alimentar-se em folhas, rebentos, casca e até raízes.
Além do dano direto, algumas espécies podem transmitir vírus vegetais ao deslocarem-se entre plantas.
Isso não significa que qualquer pulgão encontrado numa folha transmitirá necessariamente uma doença. O risco depende da espécie do inseto, da planta e do agente patogénico envolvido.
Joaninhas e outros inimigos naturais
Uma colónia de pulgões também representa uma concentração de alimento para predadores.
Joaninhas são provavelmente o exemplo mais familiar.
Tanto adultos como larvas de várias espécies de joaninhas predadoras alimentam-se de pulgões. Por isso, encontrar uma larva de joaninha perto de uma colónia não significa necessariamente que apareceu uma nova praga.
Ela pode estar precisamente a consumir a praga existente.
Outros inimigos naturais incluem larvas de crisopas, larvas de determinadas moscas-das-flores e pequenas vespas parasitoides.
A University of New Hampshire Extension recomenda reconhecer e favorecer predadores e parasitoides naturalmente presentes como parte do manejo integrado de pulgões.
Ligação com o artigo sobre joaninhas
Este comportamento complementa diretamente o nosso artigo sobre joaninhas e pulgões.
Uma população de pulgões pode aumentar rapidamente graças à sua extraordinária estratégia reprodutiva, mas simultaneamente fornece alimento capaz de atrair inimigos naturais.
Por isso, pulverizar indiscriminadamente ao primeiro sinal de alguns pulgões pode também atingir organismos que ajudariam a limitar a colónia.
Em pequenas infestações, observar a presença de predadores antes de intervir pode ser útil.
A relação entre formigas e pulgões
A presença constante de formigas numa planta infestada oferece outra pista importante.
Algumas espécies de formigas mantêm relações mutualistas com pulgões.
Os pulgões fornecem melada, uma fonte alimentar rica em açúcares. Em troca, as formigas podem permanecer perto das colónias e defendê-las contra determinados inimigos.
Essa proteção pode interferir diretamente com a atividade de joaninhas.
Estudos das interações entre formigas, pulgões e joaninhas mostram que formigas associadas a pulgões podem atacar ou afastar predadores que tentam aproximar-se da colónia.
Ligação com o mutualismo formiga-pulgão
Este é o ponto de ligação com o nosso artigo anterior sobre o mutualismo entre formigas e pulgões.
Uma planta coberta de pulgões e visitada constantemente por formigas não contém necessariamente duas pragas independentes.
Pode existir uma relação ecológica entre elas.
As formigas obtêm a melada e, em determinadas associações, os pulgões recebem algum grau de proteção.
Isso também ajuda a explicar por que uma colónia pode persistir mesmo quando existem joaninhas nas proximidades.
Como favorecer o controlo natural no jardim
Controlar pulgões não significa eliminar qualquer inseto encontrado na planta.
O primeiro passo é observar.
Verifique a parte inferior das folhas e os rebentos jovens. Procure ninfas e adultos, mas observe também ovos, larvas ou adultos de inimigos naturais.
Uma pequena colónia pode ser removida manualmente em determinadas plantas ou desalojada com água quando a cultura tolera esse procedimento.
Evite fertilização excessiva, particularmente quando promove crescimento muito tenro e vigoroso que pode favorecer determinados pulgões.
Também é útil manter diversidade vegetal e condições que permitam a presença de predadores e parasitoides.
Quando existem muitas formigas a visitar persistentemente uma colónia, considere a possibilidade de estarem interferindo com os predadores naturais antes de concluir que as joaninhas simplesmente “não funcionam”.
O objetivo de um manejo equilibrado não é transformar o jardim num ambiente completamente livre de insetos. É impedir que uma população cresça ao ponto de causar danos inaceitáveis, preservando ao mesmo tempo os organismos que naturalmente ajudam a controlá-la.
FAQ
Os pulgões precisam de machos para se reproduzir?
Nem sempre. Durante a fase partenogenética, muitas espécies produzem sucessivas gerações de fêmeas sem fertilização. Em ciclos sazonais, machos podem surgir posteriormente para a fase de reprodução sexuada.
Os pulgões põem ovos ou dão à luz?
Podem fazer ambas as coisas, dependendo da espécie e da fase do ciclo. Muitas fêmeas partenogenéticas são vivíparas e produzem ninfas vivas, enquanto a fase sexuada de muitas espécies de clima temperado termina com a produção de ovos resistentes ao período desfavorável.
O que são gerações telescópicas?
É o fenómeno em que uma fêmea partenogenética contém embriões que, por sua vez, já iniciaram o desenvolvimento da geração seguinte. Essa sobreposição contribui para reduzir o intervalo funcional entre gerações.
Todos os pulgões mudam para reprodução sexuada no inverno?
Não. O ciclo varia entre espécies, linhagens e climas. A mudança sazonal para reprodução sexuada e produção de ovos é comum em muitas populações de regiões temperadas, mas não constitui uma regra universal.
Por que aparecem pulgões com asas?
Formas aladas permitem dispersão. Podem surgir em resposta a alterações nas condições da colónia e da planta hospedeira, permitindo que indivíduos encontrem novas plantas.
As joaninhas realmente comem pulgões?
Sim. Diversas espécies de joaninhas são predadoras de pulgões, incluindo durante a fase larvar. Elas fazem parte do conjunto de inimigos naturais capazes de contribuir para o controlo dessas populações.
Por que existem tantas formigas perto dos pulgões?
Muitas formigas procuram a melada açucarada produzida pelos pulgões. Em algumas associações, defendem as colónias contra predadores, incluindo joaninhas.
Conclusão
A rapidez com que os pulgões ocupam uma planta resulta de uma estratégia reprodutiva extraordinariamente eficiente.
Durante condições favoráveis, muitas espécies utilizam partenogénese e viviparidade. Uma fêmea não precisa de acasalar antes de produzir descendentes e, graças às gerações telescópicas, as filhas em desenvolvimento podem já transportar o início da geração seguinte.
É essa sobreposição que ajuda a transformar alguns indivíduos numa colónia visível em relativamente pouco tempo.
Quando as condições mudam, o ciclo também pode mudar. Em muitas espécies de regiões temperadas, dias mais curtos e outras pistas sazonais levam à produção de formas sexuais e, posteriormente, de ovos capazes de atravessar o inverno.
Ao mesmo tempo, os pulgões fazem parte de uma rede ecológica maior. Joaninhas, crisopas, moscas-das-flores e parasitoides podem atacá-los, enquanto determinadas formigas fazem precisamente o contrário e protegem as colónias em troca de melada.
Compreender essas relações permite olhar para uma planta infestada de outra maneira. Em vez de observar apenas uma praga que apareceu rapidamente, vemos um ciclo reprodutivo altamente especializado e uma pequena rede de predadores, protetores e plantas hospedeiras a funcionar no próprio jardim.
Sugestões de links internos
- O Mito das Pintas da Joaninha Que Ninguém Verifica
Melhor inserção: secção sobre joaninhas e outros inimigos naturais.
Âncora sugerida: conhecer melhor as joaninhas que vivem no jardim - Artigo sobre o mutualismo entre formigas e pulgões
Melhor inserção: secção “A relação entre formigas e pulgões”.
Âncora sugerida: entender por que as formigas protegem algumas colónias de pulgões - Excesso de Adubo: Por Que Mata Mais Plantas Que a Falta Dele
Melhor inserção: secção sobre controlo natural e crescimento vegetal excessivamente tenro.
Âncora sugerida: evitar o excesso de adubo no jardim
Fontes externas autoritativas recomendadas
- University of Wisconsin–Madison Division of Extension
Tipo: serviço universitário de horticultura e entomologia.
Útil para: gerações telescópicas, partenogénese, formas aladas e ciclo sazonal dos pulgões. - University of Maryland Extension — Department of Entomology
Tipo: serviço universitário de extensão e investigação entomológica.
Útil para: alimentação, partenogénese, viviparidade, danos às plantas e ciclo de vida. - University of Minnesota Extension
Tipo: extensão agrícola universitária.
Útil para: alimentação dos pulgões, danos vegetais, hospedeiros e mudança sazonal para reprodução sexuada. - Royal Entomological Society e revistas científicas de entomologia
Tipo: sociedade científica e publicações de investigação entomológica.
Útil para: ecologia de pulgões, relações entre formigas, pulgões e joaninhas e controlo por predadores. - Departamentos universitários de entomologia e investigação sobre reprodução de insetos
Tipo: instituições académicas.
Útil para: partenogénese, viviparidade, polifenismo reprodutivo e fenómeno das gerações telescópicas.