Seis plantas tapetantes para substituir a relva em Portugal

Um relvado verde durante todo o verão pode parecer simples, mas em grande parte de Portugal exige uma combinação exigente de rega, cortes frequentes, fertilização e manutenção.

O principal desafio surge precisamente quando a relva mais precisa de água: durante os meses quentes e secos.

O clima português apresenta diferenças regionais importantes, mas a escassez de água durante o verão é uma realidade em grande parte do território. A necessidade de utilizar este recurso de forma mais eficiente tem levado também os jardins a serem repensados. A própria renovação do Jardim Gulbenkian, em Lisboa, incluiu entre os objetivos a redução do consumo de água e dos custos de manutenção.

Uma alternativa é substituir total ou parcialmente a relva por plantas tapetantes.

Tomilho-rasteiro, sedum, dymondia e outras espécies de porte baixo podem criar superfícies verdes sem exigir o mesmo regime de corte de uma relva convencional. Mas nenhuma planta constitui uma substituição perfeita para todas as situações.

Algumas toleram pisoteio ocasional. Outras devem ser utilizadas apenas entre pedras ou em áreas decorativas. Algumas prosperam ao sol e em solos pobres; outras preferem mais humidade ou meia-sombra.

A solução sustentável começa, portanto, não pela pergunta “qual é a melhor alternativa à relva?”, mas por perceber como o espaço é realmente utilizado.

Índice

  1. Tomilho-rasteiro — aromático e resistente à seca
  2. Sedum — cobertura para os locais mais secos
  3. Dymondia — tapete baixo para climas amenos
  4. Dichondra — cobertura verde para situações menos áridas
  5. Frankenia — uma opção interessante para jardins costeiros
  6. Trevo-branco — cobertura resistente para espaços mais utilizados
  7. Como preparar o terreno antes de retirar a relva
  8. Sol, solo e pisoteio: escolher antes de plantar
  9. Diferenças entre Norte, Centro, Sul, litoral e interior
  10. Perguntas frequentes
  11. Conclusão

1. Tomilho-rasteiro: sol, aroma e resistência à seca

Os tomilhos rasteiros são excelentes candidatos para zonas ensolaradas onde não é necessária uma superfície perfeitamente uniforme.

Thymus serpyllum forma tapetes baixos de pequenas folhas aromáticas e produz flores que atraem insetos polinizadores.

A Royal Horticultural Society recomenda-o para pleno sol e solos muito bem drenados, sobretudo neutros a alcalinos. Tolera solos relativamente pobres e períodos de seca depois de estabelecido.

Sol

Prefere pleno sol.

Num local demasiado sombreado, o crescimento tende a ser menos compacto e aumenta o risco associado ao excesso de humidade.

Solo

A drenagem é fundamental.

Solos arenosos, pedregosos ou com cascalho podem funcionar muito bem. Um terreno argiloso que permanece encharcado durante o inverno é muito menos indicado.

Não vale a pena transformar um solo pobre numa terra excessivamente fértil. Os tomilhos estão adaptados a condições relativamente austeras.

Resistência

Depois de estabelecido, apresenta boa tolerância à seca. A RHS classifica Thymus serpyllum como resistente à seca e adequado a jardins de cascalho, jardins rochosos e fendas entre pavimentos.

Tolera algum contacto com os pés, especialmente em pequenos percursos, mas não deve ser tratado como um relvado desportivo.

É excelente para:

zonas entre lajes;

bordaduras ensolaradas;

pequenos taludes;

jardins de pedras;

áreas ornamentais com passagem ocasional.

A floração constitui ainda uma vantagem para polinizadores.

2. Sedum: cobertura para os locais mais secos

“Sedum” não designa uma única solução.

O género inclui numerosas espécies com comportamentos diferentes. Para substituir pequenas áreas de relva interessam sobretudo os sedum rasteiros e de porte muito baixo.

As folhas suculentas armazenam água e ajudam estas plantas a suportar períodos secos.

Sol

A maioria dos sedum utilizados como cobertura prefere boa exposição solar.

Algumas espécies toleram sombra parcial, mas frequentemente ficam mais compactas e apresentam melhor desenvolvimento em locais luminosos.

Solo

Drenagem excelente é mais importante do que elevada fertilidade.

Solos pedregosos, arenosos e relativamente pobres podem ser adequados.

Em contrapartida, solos pesados permanentemente húmidos favorecem problemas nas raízes.

Resistência

A tolerância à seca depois do estabelecimento é uma das grandes vantagens.

É uma solução particularmente interessante para:

jardins de pedras;

taludes secos;

espaços entre pavimento;

cobertura de solo ornamental;

zonas onde seria difícil manter relva verde durante o verão.

A limitação é o pisoteio.

Um tapete de sedum não deve ser tratado como um campo de relva. Muitas espécies possuem folhas carnudas e caules que podem ser danificados pela circulação frequente.

É, portanto, uma alternativa visual e ecológica à relva, mas não necessariamente funcional para uma zona onde crianças brincam diariamente ou onde existe passagem constante.

3. Dymondia: um tapete baixo para climas amenos

Dymondia margaretae forma uma cobertura extremamente baixa, de folhas estreitas verde-acinzentadas com a face inferior prateada.

A espécie é originária da África do Sul, portanto não é uma planta nativa portuguesa. Ainda assim, pode ser interessante em determinados jardins de clima ameno.

A RHS descreve-a como uma perene sempre-verde formadora de tapete, resistente à seca e adaptada a pleno sol.

Sol

Pleno sol é a situação preferida.

É especialmente interessante em pátios, jardins costeiros amenos e espaços com exposição solar prolongada.

Solo

Prefere solo bem drenado.

Segundo a RHS, consegue crescer em solos arenosos, francos e calcários, desde que não permaneçam saturados.

Resistência

Depois de estabelecida apresenta tolerância à seca e mantém uma estrutura muito baixa.

Consegue tolerar alguma passagem ocasional, razão pela qual é utilizada entre lajes e em superfícies ornamentais.

O seu principal limite em Portugal é o frio.

A RHS atribui-lhe uma rusticidade H3, adequada sobretudo a condições costeiras ou relativamente amenas.

Por isso, não deve ser recomendada indiscriminadamente para regiões interiores sujeitas a geadas fortes.

No Algarve litoral ou noutros microclimas amenos pode fazer sentido. Num jardim frio de Trás-os-Montes, existem opções mais prudentes.

4. Dichondra: cobertura verde para situações menos áridas

As dichondras são plantas rasteiras com caules que se espalham horizontalmente, formando cobertura de pequenas folhas arredondadas.

Dichondra repens é utilizada horticulturalmente como planta tapetante. A RHS descreve o género precisamente como composto por plantas herbáceas baixas, com caules rastejantes, utilizadas como cobertura do solo.

Visualmente, aproxima-se mais da ideia de “tapete verde” que muitos proprietários procuram quando deixam de utilizar relva.

Sol

Pode funcionar com boa luminosidade e, dependendo das condições, em situações de alguma sombra.

Isso torna-a interessante para espaços onde espécies mediterrânicas estritamente amantes de pleno sol seriam menos adequadas.

Solo

Prefere condições onde exista alguma disponibilidade de humidade sem encharcamento prolongado.

Não deve ser escolhida com a expectativa de suportar automaticamente qualquer verão português sem água.

Resistência

A grande vantagem é o crescimento baixo e rasteiro.

Pode tolerar circulação ligeira, mas não oferece a mesma resistência de uma relva concebida para utilização intensa.

Em zonas muito secas do Sul e interior, poderá precisar de rega suplementar para manter uma cobertura verde durante o verão.

Assim, a dichondra faz mais sentido quando o objetivo é reduzir corte e manutenção, não necessariamente eliminar rega.

Esta distinção é importante: substituir relva não significa obrigatoriamente criar um jardim sem água.

5. Frankenia: uma possibilidade para jardins costeiros

Frankenia laevis é uma pequena planta perene rasteira associada naturalmente a ambientes costeiros e salinos europeus, incluindo Portugal.

Forma ramos prostrados e consegue desenvolver-se em condições que seriam difíceis para muitas plantas convencionais de jardim.

Sol

É adequada a locais abertos e ensolarados.

A sua ecologia costeira dá uma indicação clara das condições que consegue enfrentar: exposição, vento e solos onde outras coberturas podem ter dificuldade.

Solo

É particularmente interessante em solos arenosos e situações costeiras.

Não é uma planta para colocar indiscriminadamente num canteiro interior pesado, húmido e rico em matéria orgânica.

O princípio deve ser utilizar a ecologia da espécie como guia.

Resistência

A capacidade de formar uma estrutura baixa e rasteira torna-a interessante para cobertura ornamental em determinados jardins costeiros.

Não é, porém, uma relva alternativa para uso intensivo.

Funciona melhor onde queremos:

cobrir solo;

reduzir áreas de relva;

manter vegetação baixa;

adaptar o jardim às condições marítimas;

criar uma estética mais naturalista.

É também um bom exemplo de por que razão a escolha regional é mais importante do que seguir uma lista universal de “substitutos de relva”.

6. Trevo-branco: uma cobertura para espaços mais utilizados

O trevo-branco (Trifolium repens) apresenta uma abordagem diferente.

Não cria a aparência seca e mediterrânica do tomilho ou sedum. Forma uma cobertura verde relativamente baixa, espalha-se através de caules rastejantes e tolera melhor algum uso.

É uma leguminosa capaz de estabelecer associação com bactérias fixadoras de azoto.

Sol

Desenvolve-se bem com sol, embora consiga tolerar condições de alguma sombra.

Em comparação com espécies estritamente mediterrânicas, aprecia maior disponibilidade de humidade.

Solo

É bastante adaptável, mas o resultado depende da disponibilidade de água.

Em solos que secam completamente durante longos períodos de verão, a cobertura pode perder qualidade sem rega.

Resistência

Tolera cortes e algum pisoteio, razão pela qual pode aparecer espontaneamente em relvados.

Pode também ser misturado com gramíneas em vez de substituir totalmente a relva.

Esta solução é interessante quando se pretende reduzir a uniformidade do relvado convencional e aumentar diversidade.

As flores são visitadas por polinizadores, o que também significa que um tapete florido de trevo pode não ser a melhor opção imediatamente junto de zonas onde se anda permanentemente descalço.

Como preparar o solo para substituir a relva

Escolher a planta é apenas metade do trabalho.

Uma transição mal preparada pode resultar num espaço dominado por restos da relva anterior e infestantes antes de as novas plantas conseguirem fechar a cobertura.

A RHS salienta que mesmo boas plantas tapetantes necessitam de controlo de infestantes enquanto estão a estabelecer-se. Também precisam de água durante os primeiros períodos secos, especialmente na primeira ou segunda estação.

1. Decidir se é realmente necessário substituir tudo

Uma abordagem sustentável pode manter relva apenas onde ela tem função.

Por exemplo:

área de brincadeira — relva;

percurso — pavimento permeável;

talude ensolarado — tomilho ou sedum;

zona ornamental — cobertura rasteira;

cantos secos — jardim de pedras.

Reduzir a área de relvado pode ser mais sensato do que eliminá-la completamente.

2. Remover a relva existente

A relva deve ser removida ou suprimida antes da plantação.

Em áreas pequenas pode retirar-se mecanicamente a camada vegetal, tentando conservar o máximo possível de solo fértil.

Outra possibilidade é utilizar métodos de cobertura prolongada para enfraquecer a vegetação antes de plantar.

Evite simplesmente plantar pequenas tapetantes no meio de uma relva vigorosa. A competição inicial será elevada.

3. Observar o solo

Antes de adicionar composto automaticamente, perceba qual é a planta escolhida.

Tomilho e muitas suculentas querem drenagem e não precisam de um solo extremamente fértil.

Dichondra e trevo respondem de forma diferente.

Corrigir o solo deve significar adaptá-lo à planta, não transformá-lo sempre num substrato rico.

4. Resolver a drenagem

Este passo é especialmente importante para tomilho, sedum e outras espécies resistentes à seca.

Uma planta tolerante à seca pode morrer num inverno demasiado húmido se as raízes permanecerem encharcadas.

5. Plantar com espaçamento adequado

Uma plantação demasiado espaçada demora mais tempo a fechar e deixa solo disponível para infestantes.

Uma plantação excessivamente apertada aumenta custos e pode criar competição desnecessária.

Utilize o porte adulto da espécie ou cultivar como referência.

6. Regar durante o estabelecimento

“Tolerante à seca” não significa “não precisa de água depois de sair do vaso”.

Até espécies muito resistentes precisam de desenvolver raízes no novo solo.

Regas profundas e progressivamente mais espaçadas são normalmente mais úteis do que pequenas regas superficiais constantes.

A RHS salienta precisamente que plantas de cobertura precisam de atenção hídrica enquanto estabelecem o tapete.

Diferenças regionais em Portugal

Portugal não possui um único clima de jardim.

A planta que funciona junto ao mar no Algarve pode comportar-se de forma muito diferente num planalto de Trás-os-Montes.

Norte litoral

Maior precipitação e humidade favorecem coberturas que apreciam alguma disponibilidade de água.

O principal problema para tomilhos e sedum pode ser menos a seca e mais a drenagem durante períodos húmidos.

Dichondra e trevo podem ter condições interessantes em locais adequados.

Norte e Centro interior

Os contrastes térmicos são maiores.

Verões quentes podem coexistir com invernos frios e geadas.

A resistência ao frio deve ser analisada juntamente com a tolerância à seca.

Dymondia, por exemplo, merece cautela em zonas de geada intensa, enquanto tomilhos resistentes podem constituir uma alternativa mais segura.

Lisboa e litoral Centro

O clima relativamente ameno permite uma gama mais ampla de opções.

Tomilho, determinadas coberturas suculentas, dichondra e outras tapetantes podem funcionar, dependendo do solo e da exposição.

Mesmo aqui, orientação solar e disponibilidade de água criam microclimas muito diferentes dentro do mesmo jardim.

Alentejo

O verão quente e seco favorece uma mudança de filosofia.

Tentar manter uma superfície permanentemente verde e macia pode exigir água precisamente quando ela é mais valiosa.

Tomilho, sedum e coberturas adaptadas à secura fazem mais sentido em muitas áreas ornamentais.

Nos espaços realmente utilizados, pavimentos permeáveis, gravilha e áreas menores de cobertura viva podem ser combinados.

Algarve

No litoral, os invernos amenos aumentam as opções, incluindo espécies menos tolerantes a geadas.

Dymondia pode ser interessante em locais bem drenados e ensolarados.

No Barrocal e no interior algarvio, a disponibilidade de água e as temperaturas estivais tornam a tolerância à seca ainda mais importante.

Zonas costeiras

Vento, salinidade e solos arenosos alteram completamente os critérios.

Plantas adaptadas a ambientes costeiros, como algumas espécies de Frankenia, podem ter vantagens onde uma cobertura convencional teria dificuldade.

Perguntas frequentes

É possível substituir completamente a relva por plantas tapetantes?

Sim, em determinadas situações. Mas o resultado não terá necessariamente a resistência, uniformidade ou utilização de um relvado. Muitas vezes, a melhor solução é reduzir a área de relva e combinar várias coberturas.

Qual destas plantas precisa de menos água?

Tomilhos rasteiros e muitos sedum apresentam excelente tolerância à seca depois de estabelecidos. A necessidade real depende do solo, clima, exposição e espécie ou cultivar.

Existe alguma cobertura totalmente sem rega?

Não é prudente fazer essa promessa. Mesmo plantas resistentes à seca necessitam normalmente de rega durante o estabelecimento e podem precisar de apoio durante secas extremas ou em solos muito pouco profundos.

Qual é melhor para pisoteio?

Trevo e algumas coberturas rasteiras toleram mais passagem do que sedum. Para circulação intensa, uma cobertura vegetal ornamental pode não ser a solução adequada.

Posso andar sobre tomilho?

O tomilho rasteiro tolera passagem ocasional e pode ser utilizado entre pedras e em pequenos percursos, mas circulação diária intensa pode danificá-lo.

Posso usar sedum numa zona onde as crianças brincam?

Não é a opção mais indicada. As folhas e caules suculentos podem ser danificados pelo pisoteio frequente.

Dymondia funciona em todo o país?

Não. Prefere pleno sol, boa drenagem e condições relativamente amenas. A resistência ao frio deve ser considerada nas regiões interiores.

Preciso de remover a relva antiga?

Na maioria das conversões, é aconselhável eliminar ou suprimir a relva antes da plantação para reduzir a competição.

As tapetantes eliminam todas as infestantes?

Não. Uma cobertura densa dificulta a germinação e desenvolvimento de algumas infestantes, mas durante o estabelecimento será necessário controlo manual.

Conclusão

Substituir a relva não significa encontrar outra planta que faça exatamente a mesma coisa com zero água e zero manutenção.

Significa repensar o espaço.

Uma área de passagem não precisa da mesma cobertura que um talude. Um jardim algarvio não deve necessariamente utilizar as mesmas plantas de um jardim transmontano. Um canto sombreado exige soluções diferentes de uma encosta virada a sul.

O tomilho-rasteiro destaca-se em solos secos, drenados e ensolarados. O sedum transforma superfícies difíceis e pedregosas em coberturas vivas. A dymondia cria um tapete baixo em climas amenos. A dichondra oferece uma aparência verde mais próxima de um relvado onde existe alguma disponibilidade hídrica. A frankenia pode responder bem a determinadas condições costeiras. O trevo-branco constitui uma alternativa mais tolerante à utilização, embora não seja uma solução para eliminar a rega em todos os climas.

A escolha mais sustentável pode até combinar várias delas.

A RHS recorda que as coberturas vegetais precisam de água durante o estabelecimento, mesmo quando as plantas adultas são resistentes à seca. Depois de bem instaladas, espécies adequadas ao local podem permitir um jardim menos dependente de cortes, fertilização e rega frequente.

É essa adequação, e não simplesmente a substituição de uma espécie por outra, que transforma a mudança num verdadeiro exercício de jardinagem sustentável.

O artigo interno sobre “Como criar um jardim de pedras secas resistente à seca em Portugal” encaixa naturalmente nesta estratégia. Pode ser ligado nas secções dedicadas ao tomilho, sedum ou à transformação das zonas de relva que não precisam de suportar circulação.